O YouTube tem sido criticado nesta semana, mas isso não impede que o Google nos forneça todos os detalhes sobre seu próximo serviço de streaming. Stadia, a grande jogada do Google para definir a próxima era dos jogos, foi oficialmente anunciada em março, mas o evento na época foi frustrantemente desprovido de detalhes. Mas, agora nós os temos.

O Stadia será lançado em novembro. Nos primeiros meses – pelo menos até 2020 – você só poderá acessá-lo se você ou um amigo investir na edição Founders de US$ 130. Depois disso, qualquer um poderá conferir a novidade. Haverá uma loja onde você poderá comprar jogos.

No lançamento haverá 31 jogos, incluindo: Dragon Ball Xenoverse 2, DOOM Eternal, DOOM 2016, Rage 2, The Elder Scrolls Online, Wolfenstein: Youngblood, Destiny 2, Get Packed, GRID, Metro Exodus, Thumper, Farming Simulator 19, Baldur’s Gate 3, Power Rangers: Battle for the Grid, Football Manager, Samurai Shodown, Final Fantasy XV, Tomb Raider Definitive Edition, Rise of the Tomb Raider, Shadow of the Tomb Raider, NBA 2K, Borderlands 3, Gylt, Mortal Kombat 11, Darksiders Genesis, Assassin’s Creed Odyssey, Just Dance, Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint, Tom Clancy’s The Division 2, Trials Rising, e The Crew 2. A EA e a Capcom também terão jogos no Stadia, mas eles serão anunciados posteriormente pelas empresas.

Será possível jogar no Chrome, na TV através do Chromecast Ultra, ou no Pixel 3 e no Pixel 3a (o Google espera oferecer mais dispositivos no futuro).

Haverá dois tipos de assinatura do Stadia: uma assinatura gratuita chamada Base e uma assinatura Stadia Pro de US$ 10 mensais.

A opção Base permite comprar e armazenar qualquer jogo na loja e é possível jogar com uma resolução de 1080p a 60 quadros por segundo.

Se você investir nos US$ 10 por mês do Stadia Pro, você terá uma experiência semelhante ao PlayStation Plus ou Xbox Gold. Isso significa jogos com grandes descontos e alguns gratuitos todos os meses. Os jogos gratuitos permanecerão na sua conta, desde que você assine o Stadia Pro. Você perderá o acesso aos jogos grátis se migrar para a assinatura Base, mas poderá recuperá-los caso assine novamente o Stadia Pro.

Assinar o serviço premium também significa que você poderá jogar em 4K, a 60 fps, HDR e som surround 5.1 – se a sua rede de internet suportar, é claro.

Chromecast Ultra
Por enquanto, você precisará de um Chromecast Ultra se quiser uma qualidade 4K, 60FPS, HDR e um som surround 5.1. Essas opções estão incluídas na edição Founder. Crédito: Alex Cranz/Gizmodo

Como dissemos, em 2019, a única maneira de acessar o Stadia é se você ou um amigo comprar a Founder Edition. Você provavelmente terá que lidar com alguns bugs e com a ocasionalmente desagradável experiência de streaming. Mas, por outro lado – e por US$ 130 – você terá um controle “Night Blue” edição limitada, um Chromecast Ultra, um nome exclusivo no Stadia sem precisar acrescentar nenhum número no final (por favor, ninguém use Alex antes de mim) e o jogo Destiny 2O Destiny 2 está disponível para PC, PS4 e Xbox One há alguns anos e a versão Stadia incluirá todos os DLC atuais e futuros. E se você já joga no PC ou no Xbox One, você poderá continuar de onde parou – sem perder nenhum progresso, já que o Stadia suporta crossplay com esses sistemas. (O Google disse que também está trabalhando com a Sony para suportar crossplay com o PS4, mas não tem nada a anunciar por enquanto).

Em uma conversa no início desta semana, Andrey Doronichev, diretor de gerenciamento de produtos do Stadia, ressaltou que a ideia por trás da Founder Edition é dar às pessoas uma experiência semelhante a de um console. Ele espera que os usuários joguem principalmente pelo Chromecast Ultra de seus sofás. Embora também seja uma experiência nova oferecer suporte para navegadores e aparelhos Pixel.

Tendo trabalhado no YouTube por muito tempo, Doronichev se mostrou empolgado em detalhar como o streaming vai funcionar. Ele disse que, comparado ao YouTube, o streaming do Stadia era um “desafio técnico de ordem mais complicada”.

O Stadia, assim como o YouTube, é essencialmente um serviço de transmissão de vídeo. Uma série de servidores do Google lidam com toda a jogabilidade e, em seguida, enviam um vídeo limpo. Doronichev apontou que a maioria dos vídeos transmitidos agora depende do buffering (ou carregamento). Quadros extras de um vídeo, também chamados de buffer, são enviados para o seu dispositivo, idealmente o suficiente para que você obtenha uma experiência de visualização perfeita mesmo se a velocidade da sua rede oscilar. Quando você vê um vídeo travar e aparece a mensagem “buffering”, é porque não há quadros futuros suficientes disponíveis.

Esse carregamento de frames extras é a chave para o streaming de vídeo, mas não se pode confiar nele quando estiver transmitindo jogos, porque você não está apenas enviando o “stream”, você está controlando o jogo. O fluxo tem que ser capaz de pegar todos os seus movimentos a cada minuto, transmiti-los para o servidor, processá-los e depois retornar tudo para a sua tela com rapidez suficiente para que você não tenha nenhum lag e sinta que está jogando no próprio dispositivo em sua frente.

O Google acha que tornou isso possível, mas você vai precisar de uma banda larga decente. Segundo Doronichev, você precisará de pelo menos 10 Mbps para uma resolução de 720p,  e 35 Mbps para 4K – 10 Mbps a mais do que o Google havia declarado em março. Embora Doronichev não tenha mencionado um requisito de rede para a resolução 1080p, o Google me enviou um comunicado dizendo que “10 megabits por segundo fornecerá pelo menos 720p 60 fps, mas será possível obter uma resolução de 1080p a essa taxa também. Temos um algoritmo adaptativo que oferece a melhor qualidade possível com base na sua conexão em determinado momento”.

Isso é problemático, pois uma grande parte dos Estados Unidos não tem esse tipo de velocidade (imagine só no Brasil). Como eu havia pontuado em março, de acordo com a Akamai, apenas 1 em cada 5 residências nos EUA tem velocidades acima de 25 Mbps. Em abril, a Microsoft sugeriu que o problema de acesso à internet nos Estados Unidos era ainda pior e que mais de 162,8 milhões de americanos sequer têm acesso a velocidades de internet de 25 Mbps ou mais.

Doronichev e Google não tiveram uma resposta específica para esse problema. Em vez disso, Doronichev falou sobre o requisito de 10 Mbps para 720p e depois sobre o poder do próprio Google: “Estamos confiando em uma infraestrutura técnica incrível do Google que tem oferecido bilhões de buscas e vídeos no YouTube e que vem evoluindo ao longo de muitos anos. Então tenho certeza de que vamos chegar lá”. Eu amo o otimismo dele, mesmo que minha amiga, que mora no meio do nada no Colorado, talvez fique chateada em não poder jogar no Stadia.

Depois da minha conversa com Doronichev, o Google enviou um comunicado que esclarece um pouco melhor como o Stadia vai funcionar e quais serão os requisitos de latência para uma ótima qualidade (ênfase minha):

“Fizemos grandes investimentos em infraestrutura para garantir que os data centers fiquem próximos a muitos usuários. Também investimos em muitas inovações sobre como entregamos o jogo e como um jogo se comporta na presença de latência. Qualquer usuário dentro do tempo de ida e volta de 40ms de um “Ponto de Presença” do Stadia terá uma ótima experiência.

Além disso, se você tiver oscilações na qualidade da sua conexão de rede, nossa tecnologia de streaming adaptável sempre fornecerá a melhor experiência de acordo com a sua conexão”.

Então, se você consegue acessar o YouTube, você deve, teoricamente, ser capaz de usar o Stadia, mas a qualidade do stream pode não ser tão boa quanto a das pessoas que tem uma internet boa. Doronichev parece otimista acreditando que as empresas provedoras de internet começarão a fazer o que vêm adiando por décadas, e finalmente fornecerão melhores conexões nas áreas rurais. Eu pessoalmente não sou tão otimista, mas se você for, o Founder Edition do Stadia estará à venda a partir desta quinta-feira (6) na loja do Google (não está disponível na loja brasileira) e será lançado em novembro.