A gordura na área do abdômen pode não ser a única coisa com que pessoas com obesidade ou sobrepeso devem se preocupar. Um novo estudo publicado nesta semana parece mostrar que a gordura pode se formar nas vias pulmonares das pessoas também. A descoberta pode ajudar a explicar por que alguns problemas de saúde como a asma é mais comum ou pior em pessoas com sobrepeso.

Pesquisadores da Austrália, Nova Zelândia e Canadá se uniram para o estudo. Eles estudaram dados de um projeto anterior que coletou amostras de tecidos pulmonares de pessoas de Alberta, no Canadá, que foram diagnosticadas com asma e que tinham morrido recentemente. Esse conjunto incluía pessoas que morreram por causa da asma, bem como pessoas que morreram por causas não relacionadas. Então eles compararam essas amostras com um grupo de controle de pessoas sem asma que morreram por outras causas.

Dito isso, mais de 1.300 amostras de vias pulmonares foram estudadas no microscópio, retiradas de 52 pessoas. Os autores descobriram tecidos gordurosos nos pulmões dos três grupos, mas aqueles que tinham sobrepeso ou eram obesos tinham, em média, níveis maiores de gordura pulmonar do que todo o resto. Quanto maior o índice de massa corporal (IMC), maiores as chances de se ter mais gordura pulmonar. Maior IMC e mais gordura nos pulmões também estavam ligados à vias pulmonares mais grossas e a mais inflamações.

Existem muitas teorias para explicar por que pessoas que têm sobrepeso ou são obesas têm mais chances de ter asma, ou ter sintomas piores para a asma. Alguns argumentaram que a gordura em excesso no abdômen poderia fisicamente apertar os pulmões, tornando mais difícil pata que eles trabalhassem quando uma pessoa com asma tivesse um ataque. Outros teorizaram que a inflamação crônica ligada à obesidade poderia afetar as chances de severidade de asma, uma vez que a doença geralmente é causada por uma inflamação.

De acordo com os autores, suas descobertas não descartam essas teorias. Mas o estudo, publicado na European Respiratory Journal, pode adicionar uma nova explicação à lista.

“Descobrimos que o excesso de gordura se acumula nas paredes das vias respiratórias onde ocupa o espaço e parece aumentar a inflamação dentro dos pulmões”, disse o co-autor do estudo e professor da Universidade da Austrália Ocidental em Perth, em um comunicado. “Achamos que isso está causando um engrossamento das vias respiratórias que limita a circulação do ar nos pulmões, e que isso poderia pelo menos parcialmente explicar um aumento nos sintomas da asma”.

Os autores dizem que esse é o primeiro estudo a examinar a gordura de dentro dos pulmões das pessoas. Mas existem condições conhecidas ligadas à obesidade e acúmulo de gordura em outros órgãos, como a doença de fígado gorduroso não ligado ao alcoolismo.

Neste momento, no entanto, ainda é preciso ser feita muito mais pesquisa para confirmar essa ligação. Os autores dizem que eles já estão encaminhados em um estudo que procura por tecidos gordurosos nos pulmões de pessoas vivas. Pesquisas fúrias poderiam testar também se perder peso pode reduzir o risco ou a severidade da asma.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, mais de 25 milhões de adultos e crianças nos EUA têm asma atualmente, enquanto que dois terços dos adultos e um terço das crianças têm sobrepeso ou obesidade.

No Brasil, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Ministério da Saúde e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a asma atinge 6,4 milhões de brasileiros acima de 18 anos. Além disso, 18,9% dos brasileiros são obesos e 54% tem sobrepeso, conforme a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).