Ciência

Gripe aviária atrapalha estudos sobre os pinguins da Antártida

Depois que chegou à Antártida, vírus H5N1 limitou as atividades de pesquisa com animais da região, especialmente pinguins
Imagem: Torsten Dederichs/ Unsplash/ Reprodução

A cepa mortal de gripe aviária que está circulando pelo mundo chegou até os extremos do planeta. Desde 2023, o vírus H5N1 atinge animais da Antártida e, consequentemente, atrapalha as pesquisas que lá são feitas – inclusive aquelas sobre pinguins.

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“Vários projetos foram cancelados este ano, porque queríamos reduzir o risco de ter uma infecção de pessoas ou ser o vetor que espalha doenças entre diferentes colônias de animais”, explica Antonio Quesada del Corral, coordenador do programa espanhol de pesquisa antártica.

O vírus H5N1 na Antártida

O H5N1 foi detectado pela primeira vez no continente antártico em outubro de 2023. De acordo com os pesquisadores, os primeiros infectados foram pássaros, entre eles gaivotas e skuas. Eles estavam no território subantártico das Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul.

Depois, em fevereiro de 2024, skuas mortas também foram encontradas perto da estação de pesquisa Primavera da Argentina. Até agora, sabe-se que o vírus já se espalhou para elefantes, focas, albatrozes, pinguins-gentoo e pinguins-rei.

Gripe aviária traz problemas para pesquisas

Desde a primeira detecção da gripe aviária na Antártida, cientistas passaram a reorganizar os planos de pesquisa dos meses seguintes, especialmente da temporada de verão, que vai de outubro a março.

De acordo com Quesada del Corral, apenas pesquisadores especializados em doenças infecciosas e vírus têm sido autorizados a acessar colônias de animais. 

Além disso, alguns projetos que tiveram início em 2023 não puderam ser concluídos, porque os cientistas não conseguiram coletar dados de sensores localizados em colônias de animais. Somente assim eles poderiam reunir informações durante o ano todo.

Em tese, os dados podem ser recuperados durante este ano, mas os pesquisadores têm receio de que a bateria e a memória falhem.  “Esta é a primeira vez que me lembro de um acesso tão reduzido às colônias de animais desde que comecei minha carreira na Antártida em 1996”, conclui Quesada del Corral.

Além do programa espanhol de pesquisa na Antártida, as atividades de cientistas argentinos também foram interrompidas. De acordo com o ecologista Martín Ansaldo, todas as tarefas que demandam contato direto com animais, como os pinguins, que estão apresentando comportamento incomum foram cortadas. 

Já a pesquisa realizada pelo Programa Antártico dos EUA ainda não foi afetada pela gripe aviária. Contudo, é possível que algum surto futuro possa impactar os estudos.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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