O fenômeno das compras coletivas estourou no Brasil em 2010 com o Peixe Urbano e o Groupon. A ideia era simples: se um número mínimo de pessoas adquirisse um produto, todos levariam desconto nele. Infelizmente, as compras coletivas foram uma dor de cabeça para muitas pessoas, e perderam a popularidade. Por isso, Groupon e Peixe Urbano desistiram desse negócio.

No Brasil, o Groupon tenta se reinventar como um shopping para empresas locais que oferecem descontos, assim como já faz nos EUA.

Michel Piestun, CEO do Groupon na América Latina, diz ao G1 que “o crescimento não era sustentável” no caso da compra coletiva. Ela exigia um número mínimo de compradores, o que até “enchia estabelecimento, mas a maioria não voltava”.

Agora, não é preciso atingir um número mínimo de vendas: se você gostar de uma oferta, basta adquiri-la. O site e os apps para Android, iOS, Windows Phone e BlackBerry foram atualizados para refletir isso: em vez da “oferta do dia”, eles destacam produtos e serviços nas proximidades.

A nova estratégia do Groupon começou em novembro nos EUA, com o lançamento de um novo app antes da Black Friday. A empresa anunciou que as vendas aumentaram 30% em relação ao ano anterior. Infelizmente, parece que os resultados não duraram muito: entre janeiro e junho deste ano, a empresa já acumula prejuízo de US$ 60,7 milhões no mundo inteiro. A concorrência com Amazon e semelhantes não será fácil.

Fim das compras coletivas

O Peixe Urbano, por sua vez, mudou sua estratégia no Brasil já no ano passado. Em outubro, a Folha de S. Paulo notava que o site tentava se transformar em uma “prateleira de ofertas” para serviços locais. O número mínimo de compradores também foi abolido, e as ofertas não apostam na compra impulsiva, por terem duração limitada – algumas ficam no ar durante semanas.

O ClickOn também deixou de lado as compras coletivas e virou um site especializado em viagens, oferecendo pacotes turísticos, cruzeiros, entre outros.

Com a mudança de rumos do Groupon brasileiro, temos aqui o fim oficial do boom das compras coletivas. Vale lembrar que, em 2011, tivemos no país mais de dois mil sites do tipo; agora, nem os grandes querem fazer parte desse negócio.

O que aconteceu? Além da escassez de boas ofertas, às vezes era uma dor de cabeça usar o cupom: tanto que, em 2012, as reclamações no Procon envolvendo sites de compra coletiva aumentaram 506%. No último ranking, Groupon e ClickOn enfim saíram do top 50 das empresas mais reclamadas. Agora resta ver se elas sobreviverão com a nova estratégia. [G1 via Olhar Digital]

Foto por Groupon