Ciência

Grupo de borboletas atravessa o Atlântico voando 4.200 km sem parar

Entomologista espanhol Gerard Talavera encontrou cerca de dez borboletas da espécie Vanessa cardui em 2013 em uma praia na Guiana Francesa, na América do Sul, e pesquisou de onde vieram
Imagem: Gerard Talavera/Divulgação

Cientistas de quatro países descobriram evidências de que um grupo de borboletas voou por 4.200 km pelo Oceano Atlântico sem parar.

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A descoberta foi publicada em um estudo na revista acadêmica Nature Communications, no dia 25 de junho.

Tudo começou em 2013, quando o autor do estudo, o entomologista espanhol Gerard Talavera, encontrou cerca de dez borboletas da espécie Vanessa cardui em uma praia na Guiana Francesa, na América do Sul.

No entanto, essa espécie de borboletas não é nativa da América do Sul, além de apresentar asas com buracos. “Elas pareciam exaustas, nem conseguiam voar direito. A única explicação que me veio a mente foi que essas borboletas eram migrantes que vieram de longe”, diz o pesquisador.

Ainda assim, borboletas atravessando um oceano inteiro era algo nunca antes documentado. Por isso, o pesquisador e alguns colegas decidiram analisar alguns fatores antes de concluir que essas borboletas, ao atravessar o atlântico, conseguiram um feito antes considerado impossível.

Borboletas atravessaram Atlântico por acidente

Em um estudo anterior de Talavera, de 2016, foi descoberto que borboletas dessa especie, nativas da Europa, voavam para África Subsaariana encontrando obstáculos como o Mar Mediterrâneo e o Deserto do Saara no trajeto de quase 4 mil km.

Nessa jornada longa, as borboletas fizeram a maioria do trajeto por terra, onde podiam parar para “abastecer”, ou seja, se alimentar.

No entanto, atravessar os 4.200 km do Atlântico, de acordo com o novo estudo, demandaria de cinco a oito dias dependendo do grupo de borboletas.

Com base em análises nas limitações de fontes de energia, o estudo concluiu que as borboletas conseguiriam voar uma distância máxima de 780 km sem parar. O que permitiu que elas conseguissem completar a longa viagem pelo atlântico foram as boas condições de vento.

“Conseguir voar tão longe sem possibilidades de parar é, de fato, um recorde para um inseto, sobretudo para borboletas”, disse o pesquisador.

Por fim, segundo o estudo, a travessia de 4.200 km pelo Atlântico era a migração anual das borboletas da Europa para o sul. Mas as borboletas desse grupo se perderam quando o vento as empurrou para o oceano.

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