Na semana passada, a Kobo anunciou que sua família de hardware cresceu: ela vai apostar de novo em tablets com a linha Kobo Arc, e trazer um novo leitor e-ink chamado Aura. Hoje, testamos os dois aparelhos para conferir se são boas opções de leitura.

Comecemos com o Kobo Arc. Há três versões dele: 7″ e resolução 1024×600; 7″ e resolução Full-HD; e 10″ com resolução 2560×1600 – este era o único disponível para teste.

O Kobo Arc 10HD tem chip Tegra 4 quad-core, 2 GB de RAM, 16 GB de espaço interno e bateria que promete durar 9,5 horas ou dez dias no modo leitura. Quando ativado, ele desativa todas as notificações e otimiza o brilho da tela.

Por fora, ele não tem nada de chamativo na frente, mas possui um design anguloso na traseira, com a mesma textura suave do leitor e-ink Aura. E ao ligar a ótima tela LCD de altíssima resolução, ele tem uma interface nítida, mas parece um tablet comum com Android 4.2 Jelly Bean. Ele roda apps do Google Play, inclusive.

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Mas dê uma olhada na borda direita: há um conjunto de ícones e a foto do usuário. Deslize seu dedo nessa borda, e você entrará na interface especial da Kobo. Ela permite ver seus livros, revistas e itens salvos no Pocket que você acessou recentemente, e inclui até quanto tempo você leu durante o mês.

Deslize mais uma vez, e você encontra uma estante de livros. Ela organiza seu conteúdo por categorias. Temos aqui as revistas que você comprou; os livros da sua biblioteca; artigos salvos no Pocket; itens que a Kobo organizou em coleções, e mais. Cada um se abre com uma bela animação, e exibe o conteúdo em forma de cards, como no Google Now.

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Há dois recursos inteligentes bem bacanas nos tablets Arc. O primeiro tem a ver com revistas. Lê-las em um tablet não é muito agradável: ou você precisa dar zoom e tirar zoom, ou tem que ler o texto sem a formatação original. No Arc, basta tocar duas vezes no artigo que você quer ler: ele dá zoom na coluna de texto, e você toca na borda direita para avançar.

Ele é realmente esperto: se a coluna acabar, ele vai para a próxima. Se a página acabar, ele avança para a próxima página com o texto, pulando a propaganda. E se a página seguinte tiver texto, mas não for do artigo (uma legenda de foto, por exemplo)? Mesmo assim, ele vai direto para a continuação do artigo. É bem impressionante que ninguém tenha feito isso até hoje.

No entanto, ao usar a função, dá para ver que o tablet está se esforçando para renderizar as fontes da revista. Isso demora cerca de um segundo cada vez que você avançar de parágrafo, o que pode ser incômodo. Mesmo tendo um Tegra 4, deu para ver que a resolução alta às vezes pesa no desempenho.

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A outra função inteligente é o “Beyond the Book”: a Kobo analisar o texto dos livros para assinalar quais deles são centrais para o assunto discutido, mas que geram dúvidas. Em um livro sobre história, são termos como “revolução industrial” e “Karl Popper”.

Durante o texto, você verá que essa palavra está sublinhada; toque nela e abre-se uma barra lateral com a Wikipédia e recursos adicionais sobre o tema. O recurso destaca poucas palavras, para não distrair você da leitura. Você pode tocar em um botão para ver todos os termos que foram assinalados no livro pela Kobo.

São recursos interessantes, é claro, mas será que precisavam de um tablet próprio? Ambos poderiam funcionar muito bem dentro de um app. E com o formato widescreen, é um pouco estranho usá-lo para ler e-books: em modo retrato, você tem uma longa página; no modo paisagem, duas páginas com grandes bordas brancas ao redor.

Por fim, o tablet não é terrivelmente barato: o Kobo Arc 10HD está disponível por US$ 400. Há modelos mais baratos, por US$ 150 (Arc 7) e US$ 250 (Arc 7 HD). Eles serão vendidos no Brasil no início de 2014.

Kobo Aura

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A Kobo tem uma família extensa de leitores de e-book. O Aura é um downgrade do Aura HD: ele mantém a tela iluminada toda por igual (não dá para ver as fontes de luz), mas possui densidade de pixels menor (212 ppi). E dá para notar: em certos elementos de tela, os pixels são bem visíveis.

A empresa diz que a tela possui uma nova tecnologia que permite trocar de página rapidamente, sem muito lag, e sem o efeito ghosting – parte da página anterior ainda estar visível. No entanto, em nosso teste, o Aura parecia trocar de página mais devagar que o novo Kindle Paperwhite.

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A superfície traseira, por sua vez, ficou menos angulosa, e agora é suave ao toque. Ele é bem agradável de segurar, especialmente por ser tão leve: apenas 174 g. No entanto, as laterais ficam um pouco elevadas em relação à tela, e acabam incomodando um pouco na mão.

O Kobo Aura é compatível com arquivos ePub e PDF, e também possui integração com o Pocket e com o recurso Beyond the Book. Ele está à venda por US$ 150, e só deve chegar ao Brasil no ano que vem.

O Gizmodo Brasil viajou para Berlim a convite da TP Vision.