O tablet do Project Tango, capitaneado pelo Google, consegue ver em 3D. Na verdade, ele consegue até mapear uma área com suas câmeras e sensores. A tecnologia é admirável, mas eu não acreditava que isso pudesse ser mais do que um conceito. Isso até eu colocar um desses tablets no meu rosto, em uma máscara semelhante ao Oculus Rift.

Anunciado este ano, o Project Tango quer “dar a dispositivos móveis uma compreensão em escala humana do espaço e do movimento”. Ele usa uma câmera com sensor de movimento, uma câmera de profundidade 3D (basicamente um Kinect bem sofisticado), e uma câmera comum. Todos os dados são capturados e processados ​​em tempo real por dois CPUs dedicados.



project tango hands-on (2)

Ele também usa o chipset Nvidia Tegra K1 que, nas palavras de um funcionário do Google, torna este tablet “basicamente o mais poderoso do mundo agora”. E a tecnologia funciona muito bem! Johnny Lee, responsável técnico pelo Project Tango, diz que sua equipe conseguiu chegar a apenas 1% de desvio entre o modelo 3D e o mundo real, ao mapear espaços complicados andando através deles.

O tablet está disponível para desenvolvedores por US$ 1.024 em quantidades limitadas, mas quer ir além: Lee anunciou que está trabalhando com a LG para fazer uma versão do tablet para consumidores, a ser lançada em 2015.

project tango hands-on (3)

Por que uma pessoa comum usaria um dispositivo Tango? O que isso significa em termos práticos, e por que isso não seria apenas um artifício para chamar nossa atenção? Eu testei alguns apps e ferramentas que o Google está desenvolvendo para explorar essas questões.

O app que me deixou mais contente foi um headset de realidade aumentada feito pela Durovis. A empresa criou o headset Dive, no qual você insere um smartphone para usá-lo em experiências de realidade virtual, como uma Oculus Rift.

project tango hands-on (1)

Mas no Google I/O, a Durovis exibiu um protótipo desenvolvido especialmente para o Project Tango, bem como um app de demonstração, que coloca um aquário na frente do seu rosto. Os peixes nadavam por aí bem na frente dos funcionários do Google. Você pode até mesmo entrar e sair da água: basta se ajoelhar e depois levantar.

Ele reúne todo o potencial de jogos 3D e imersão do Oculus Rift, mas vai um passo além, porque você também pode ver o mundo ao redor. Claro, o app é um pouco bobo, mas mostra o potencial do que é possível com o Google Tango sendo usado como um headset.

project tango hands-on (4)

Um dos principais focos da equipe que desenvolve o Tango é adaptá-lo para jogos. Eles vêm se esforçando para criar algumas experiências diferentes de gaming, e também fizeram parcerias com estúdios de jogos, como a Epic Games. No I/O, o Google demonstrou alguns jogos, como um jogo para matar zumbis – você mira neles movendo o tablet. Matar zumbis é divertido!

Só que a experiência mais interessante foi em alguns mapas relativamente vazios, que você encontraria em um jogo de tiro. Eles usam a detecção em 3D do Project Tango: quando você dá um passo à frente na vida real, o tablet percebe e move você no mapa que você está observando. Isso adiciona uma nova dimensão para a realidade virtual do Oculus Rift.

project tango hands-on (5)

Também há apps mais utilitários, que permitem mapear o mundo real à sua frente. Em um aplicativo muito simples, você anda pelos quatro cantos de uma sala, e o Google Tango renderiza um mapa 3D bastante preciso no SketchUp. Em outro app, feito pela Autodesk, você pode medir com precisão e obter o modelo 3D de um cômodo e seu conteúdo, o que pode ser bastante útil no design de interiores.

Acima de tudo, eu fiquei impressionado em como a tecnologia funciona bem. Algumas renderizações em tempo real podem ficar um pouco irregulares ou bugadas, mas quando se trata de obter medidas reais, ele é ultrapreciso. O Project Tango funciona, e ele tem potencial no mundo real – só precisa de alguns ajustes para ser usado por um público mais geral.

project tango hands-on (2)

Ao longo do último mês, eu venho conversando com várias das empresas parceiras que criaram a tecnologia por trás do Project Tango, para saber o que exatamente o Google esperava fazer – e o que devia fazer – com o projeto daqui para frente.

Farshid Sabet, SVP da Movidius, empresa que fabrica um dos processadores de visão computacional no smartphone Tango, o Google quer mostrar que esta tecnologia é mais do que apenas uma ferramenta profissional ou um conceito desajeitado. E para torná-la uma ferramenta para profissionais, o software tem que funcionar de uma forma totalmente simples, porque usuários comuns não aturam engasgos e bugs do jeito que um desenvolvedor.

Agora eu tive uma prévia do que o Google vem bolando em seu laboratório, e mal posso esperar para experimentar o Tango à medida que ele avança. E o mais surpreendente é que ele não deve demorar muito para chegar a todos nós.