Enquanto todos nós temos que lidar diariamente com invasões de privacidade baseadas em tecnologia, os residentes de Hong Kong estão vendo isso chegar a um novo nível graças à disseminação do coronavírus – e isso só está piorando.

Na quinta-feira (19), o diretor de informações de Hong Kong, Victor Lam, anunciou que a cidade-estado vai tomar medidas rigorosas em relação aos recém-chegados que tentarem quebrar sua quarentena de duas semanas determinada pelo governo federal ao aterrissar. Lam explicou que os moradores de Hong Kong colocados em quarentena agora precisarão usar uma pulseira que rastreia sua localização para garantir que eles permaneçam em casa e isolados socialmente.

Mas não se preocupe – apesar de quão distópico isso possa parecer, Lam garantiu aos repórteres que havia consultado o “Comissário de Privacidade de Dados Pessoais” de Hong Kong, que “basicamente concordou” que o sistema não era invasivo. Como Lam disse:

De fato, o aplicativo não captura diretamente o local, mas apenas as alterações no local, especialmente os sinais de telecomunicações e comunicação em torno do confinado, para garantir que ele fique em casa.

A pulseira – que se parece com uma pulseira de hospital mais elaborada que você receberia durante uma estadia prolongada – é feita para emparelhar com um aplicativo nativo que, assim como muitos dos aplicativos em nossos telefones, reúne dados de localização da pulseira em si. Os usuários das pulseiras também são instruídos a caminhar pela casa para que a tecnologia possa mapear as coordenadas de um espaço e informar as autoridades se o indivíduo for a algum lugar onde não é permitido.

No momento, Hong Kong tem mais de 50.000 pessoas isoladas em suas casas – e esse número deve aumentar, de acordo com um comunicado de imprensa federal anterior.

“Até agora, 5.000 pulseiras reutilizáveis ​​[…] estão prontamente disponíveis e outras 60.000 pulseiras descartáveis ​​foram adquiridas no mercado. Entre as quais, 5.000 pulseiras descartáveis ​​foram entregues e testadas”, diz o comunicado, acrescentando que “as 55.000 pulseiras restantes serão entregues em lotes”.

A empresa que desenvolveu o aplicativo associado a esta pulseira é a Compathnion, sediada em Hong Kong, que se autodenomina “uma equipe premiada com a missão de fornecer soluções eficazes baseadas em localização para atender às crescentes necessidades de negócios em Hong Kong, China e outras partes do mundo”. Uma rápida olhada em seus clientes mostra que antes de a companhia ajudar autoridades de Hong Kong a monitorar seus cidadãos, a Compathnion fez o mesmo para shoppings, empresas de construção civil e universidades.

De acordo com um comunicado de imprensa federal anterior, essa combinação de aplicativo/pulseira não será a única coisa que rastreará a localização dos cidadãos de Hong Kong. Aplicativos populares como WhatsApp e WeChat também enviarão essas informações ao Departamento de Saúde de Hong Kong e às forças policiais locais.

Ambos os departamentos ficarão sabendo se alguém em quarentena tentar sair antes das duas semanas e também serão sinalizados se alguém tentar quebrar a pulseira ou desconectar o smartphone – violações federais que resultarão em um dessas agências adotando “ações de acompanhamento”. A definição exata do significado dessa “ação” ainda não foi definida, mas considerando o histórico da brutalidade policial de Hong Kong, não é difícil imaginar o que poderia acontecer se a quarentena não for cumprida.