Você provavelmente já viu imagens de Netuno, tiradas da sonda espacial Voyager 2, que voou próximo ao planeta em 1989. No entanto, não tem nenhuma espaçonave orbitando Netuno no momento. Então, eles pensaram: e se a gente conseguisse obter imagens a uma distância de 4,6 bilhões de quilômetros? Uma atualização do VLT (Very Large Telescope) do ESO (Observatório Europeu do Sul), no Chile, permitiu que o telescópio conseguisse obter imagens tão claras como as tiradas pelo Hubble, um telescópio que fica no espaço orbitando a Terra.

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O VLT consiste em quatro telescópios com espelhos de 8,2 metros cada, que ficam localizados no deserto do Atacama, no Chile.

VLT no Observatório Paranal, no deserto do Chile. Crédito: Guilherme Tagiaroli/Gizmodo Brasil

Hoje, os cientistas do observatório anunciaram resultados das primeiras observações feitas com tomografia a laser, uma novo modo óptico adaptativo de observação em sua unidade GALASCI, que funciona junto com um instrumento de espectrografia chamado de MUSE em um dos telescópios.

Diferença de imagem captada pelo VLT e pelo telescópio espacial Hubble. Crédito: ESO/P. Weilbacher (AIP)/NASA, ESA, e M.H. Wong e J. Tollefson (UC Berkeley)

Basicamente, a atmosfera da Terra distorce a aparência de coisas no espaço, fazendo com que estrelas cintilem e que objetos distantes fiquem borrados. Se você quer observar da Terra, deve achar a melhor forma de corrigir o borrão. Para saber quanto de borrão corrigir, você precisa de um ponto de referência.

O VLT tem um recurso em que ele consegue disparar quatro lasers brilhantes para o espaço, criando uma estrela falsa no céu noturno. Ele, então, usa o “borrão” do laser para informar um espelho controlado por computador, que muda constantemente de formato. Ele corrige os efeitos da atmosfera, de modo que o MUSE possa captar uma imagem mais nítida.

A diferença é notável e impressionante.

Imagem de Netuno com óptica adaptativa e sem óptica adaptativa. Crédito:ESO/P. Weilbacher (AIP)

Há dois modos ópticos adaptativos — modo de campo estreito, que pode visualizar pequenos pontos do céu com alta precisão, modo de campo largo, que pode visualizar grandes partes do céu, mas apenas consegue corrigir uma faixa de distorção de 1 km, segundo comunicado do ESO.

Ter imagens nítidas de coisas do espaço é importante para estudar planetas, estrelas e nebulosas e entender como elas se formaram e do que são feitas. O ESO continuará atualizando seus instrumentos para obter sempre a melhor resolução. Mas, por enquanto, podemos dizer sem nenhum pudor que estamos impressionados.

[ESO]

Imagem do topo por ESO/P. Weilbacher (AIP)