Pacientes que sofrem de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) avançada poderão em breve se comunicar por meio de implantes cerebrais. É o que aponta uma nova pesquisa publicada na revista Nature Communications.

O experimento foi liderado por Ujwal Chaudhary, pesquisador da Universidade de Tübingen, na Alemanha, e cofundador da ALS Voice gGmbH, uma organização sem fins lucrativos que desenvolve serviços de comunicação por meio de tecnologias neurológicas e biomédicas.

A pesquisa envolveu implantar dois conjuntos de microeletrodos no córtex motor de um paciente voluntário –que atualmente tem 36 anos e que mora na Alemanha–, e que estava em um estágio avançado da doença. Ele foi selecionado por não ter um movimento ocular confiável, impedindo que ele se comunicasse de qualquer outra forma.

Durante semanas, a equipe treinou o paciente a se comunicar, pedindo para que ele tentasse mover suas mãos, pés, cabeça e olhos, na esperança que fosse gerado um sinal neural consistente, o suficiente para ele responder perguntas de “sim” ou “não”. Ele recebia o feedback de sua própria atividade neural por meio de um tom audível.

Após quase 3 meses de tentativas malsucedidas, os pesquisadores conseguiram ajustar o sistema procurando os neurônios mais responsivos e determinando como cada um mudava com os esforços do participante.

Isso permitiu que o homem pudesse não apenas responder perguntas, mas selecionar letras individuais de um soletrador e formar frases inteligíveis, como “sopa de goulash e sopa de ervilha doce”, “eu gostaria de ouvir o álbum do Tool alto”, ou “eu amo meu filho legal”. Ele também conseguiu pedir que os cuidadores o reposicionassem.

Por se tratar de uma nova técnica, nem sempre o homem conseguia se comunicar. Em 107 dos 135 dias relatados no estudo o paciente conseguiu combinar a série de tons audíveis com 80% de precisão, e apenas em 44 desses 107 dias ele conseguiu produzir uma frase inteligível.

A técnica promissora do implante cerebral

A ELA destrói os nervos que controlam o movimento, impedindo que a pessoa consiga se movimentar, impactando diretamente o processo da fala. Geralmente, a pessoa pode passar meses ou anos apenas ouvindo, mas sem poder se comunicar.

Um dos pacientes mais emblemáticos de esclerose lateral amiotrófica era o físico britânico Stephen Hawking. Geralmente, a maioria das pessoas com a condição morre dentro de 5 anos após o diagnóstico. Porém, Hawking conviveu com a doença por mais de 50 anos, usando no final de sua vida uma câmera especial de rastreamento ocular para que ele pudesse selecionar letras em uma tela para conseguir se comunicar.

Porém, nem todos os pacientes com a doença neurodegenerativa conseguem utilizar o sistema usado pelo físico, por não ter mais um controle confiável do movimento ocular ou do simples ato de abrir os olhos.

Agora, os pesquisadores estão buscando financiamento para dar implantes semelhantes a outras pessoas com ELA. Se o novo sistema se mostrar confiável, ele poderá se tornar uma maneira mais eficiente e acessível para que milhares de pessoas possam se comunicar, mesmo que elas apresentem paralisia muscular total.