Usando seu braço robótico, a sonda InSight cautelosamente posicionou um dispositivo hexagonal suavemente na superfície marciana nesta quarta-feira (19). O ato marca a primeira vez na história em que um sismógrafo é colocado em Marte — ou na superfície de algum planeta que não seja a Terra.

A InSight aterrissou em Marte em 26 de novembro, e agora ela está começando a realizar tarefas sérias. Depois de checar sua nova área de trabalho e tirar uma selfie bacana, ela agora vai preparar o SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure), um instrumento considerado fundamental para a missão.

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“A implementação do sismógrafo é tão importante quando a aterrissagem da InSight em Marte”, disse Bruce Banerdt, chefe de pesquisa da missão InSight, em um comunicado. “Os sismógrafo é o instrumento de maior prioridade na InSight: precisamos dele para completar três quartos dos nossos objetivos científicos.”

Na preparação para implementar o SEIS, os planejadores da missão garantiram que o braço robótico da sonda estava funcionando corretamente e que foi escolhido um ponto adequado da superfície para sua preparação. E como a prática leva à perfeição, os membros da equipe treinaram com uma réplica em uma área de testes do JPL (Laboratório de Propulsão à Jato), da NASA, em Pasadena, Califórnia (EUA).

Engenheiros do JPL praticam na Terra instalação de sismógrafo. Crédito: NASA/JPL-Caltech/IPGP

Na hora prevista, a InSight colocou gentilmente o sismógrafo na superfície bem em frente, na maior distância em que conseguiu: cerca de 1,6 metro. Este local específico foi escolhido para manter o dispositivo o mais longe possível dos pés da InSight; ele permite que o cabo do dispositivo se apoie no chão e tenha contato uniforme com a superfície. Também deixa espaço para a sonda de calor ser colocada posteriormente.

O dispositivo cor de cobre agora está na superfície marciana, mas a implementação ainda não terminou. O SEIS precisa ser nivelado, pois, atualmente, ele está inclinado do chão algo em torno de 2 e 3 graus. Nas próximas semanas, os cientistas da NASA analisarão cuidadosamente os dados extraídos pelo dispositivo para testar a confiabilidade e a integridade das informações enviadas à Terra. A equipe da InSight pode ter que ajustar a corda forrada do fio da SEIS para minimizar qualquer ruído viajando ao longo dela, por exemplo. Para o estágio final do processo de instalação, o braço robótico da InSight colocará uma proteção termal e contra vento sobre o sismógrafo para estabilizar o ambiente em torno dos seus sensores.

“O cronograma de atividades da InSight em Marte tem sido melhor do que esperávamos”, disse Tom Hoffman, gerente de projeto da Insight. “Colocar o sismógrafo com segurança no chão é um incrível presente de Natal.”

Uma vez que o SEIS estiver instalado e funcionando, ele ouvirá os “marsquakes” — os “batimentos cardíacos” do planeta vermelho. O dispositivo deve ser capaz de detectar ondas sísmicas que passam por camadas inferiores da superfície. Os cientistas planetários já haviam mostrando anteriormente que as placas tectônicas existem em Marte, embora não na escala que existem na Terra; grandes mudanças tectônicas ocorrem cerca de uma vez a cada milhão de anos em Marte. Dito isso, o SEIS deve ser capaz de detectar pequenas ondulações sísmicas. Os especialistas vão usar esses dados para aprender sobre a profundidade e a composição dessas camadas.

Conforme observado, a InSight terá que implantar outro dispositivo: a sonda de calor. Também conhecida como Heat Flow and Physical Properties Probe (sonda de fluxo de calor e propriedades físicas, em tradução livre), o dispositivo será posicionado na parte leste da área de trabalho da Insight, a uma distância parecida que o SEIS está. Isso deve acontecer até o fim de janeiro.

[NASA]