Cientistas há muito tempo ponderam sobre o que está abaixo da superfície do cometa 67P, mas um estudo divulgado na Nature nesta semana tem a resposta: poeira. Muita poeira. Eu esperava algo como gremlins espaciais, mas para cientistas plantetários esse resultado é quase tão empolgante quanto.

Cometas, restos congelados da formação do sistema solar, são uma mistura de água congelada e rochas. Se for bastante compacto, esperamos que eles sejam mais densos do que a água, mas, na maior parte das vezes, não é o caso. O cometa em que a sonda Rosetta pousou e alguns outros têm densidades bem baixas, o que faz cientistas se perguntarem se essas cápsulas espaciais estão cheias de grutas e cavernas.

Agora o mistério foi solucionado para uma das mais bem estudadas rochas espaciais do cosmos. O cometa 67P não é apenas uma barra de chocolate crocante. É mais como uma bola de malte, sólida mas cheia de grãos bem leves de poeira.

Astrônomos chegaram a essa conclusão de uma maneira bastante esperta: ao estudar o efeito da gravidade do cometa nos sinais de rádio recebidos no solo. Se o interior do cometa fosse esburacado, sua força gravitacional sobre a Rosetta seria mais forte em algumas partes da órbita da nave espacial do que em outras, causando uma mudança na aceleração. Isso, por sua vez, produziria um deslocamento Doppler na frequência dos sinais de rádio da Rosetta. Como nenhuma grande alteração de aceleração foi detectada, podemos concluir que o 67P é homogêneo – mas bastante macio. Os cientistas estimam que o interior seja cerca de 75% grãos de poeira e 25% de água congelada.

Ainda pode, no entanto, existir algumas pequenas grutas que escaparam das nossas medições. Conforme a Rosetta segue sua jornada suicida no 67P, vamos refinar as medidas do campo de gravidade do cometa. Talvez os gremlins espaciais estejam escondidos em alguma parte dele.

[Nature via ESA]