Partes dela deixariam de existir em questão de dias; caso o acesso permanecesse operacional, um pedaço da internet continuaria parcialmente utilizável por um ou dois anos. Todos os grandes sistemas complexos exigem manutenção constante feita por equipes enormes de pessoas inteligentes, e a internet não é exceção. Como vemos em filmes de futuros distópicos de ficção científica, esse tipo de infraestrutura desmorona lentamente.

A internet em si depende de duas infraestruturas maiores – redes de comunicação de dados e energia, assim como servidores de computadores que implementem os serviços de dados da internet (ter uma rede sem computadores operacionais para conversar seria tão útil quanto uma rede de telefone sem nenhum outro ser humano por perto para conversar).

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Barragens, turbinas e ogivas continuariam gerando energia, mas não para sempre. Uma tempestade pode derrubar linhas de energia, e elas jamais seriam consertadas; a maior parte das usinas de energia seria desligada automaticamente devido à ausência de operadores humanos realizando ajustes para evitar falhas críticas.

Algumas barragens seriam destruídas em temporada de chuvas, já que grandes ajustes de escala de tempo – como reduzir reservatórios na chegada da primavera, quando lagos congelados derretem e causam inundações – não costumam ser automatizados. O movimento do carvão em usinas a carvão provavelmente é feito por pessoas, e não automatizado (e, claro, a entrega de combustível para essas usinas depende de trens e navios controlados por humanos). Quando a energia acabar, as UPSs (fontes de alimentação ininterrupta, na sigla em inglês) e os geradores reservas em data centers e na infraestrutura de telecomunicações durariam apenas algumas horas.

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Claro, as redes de telefone e fibra continuariam funcionando, provavelmente por meses ou anos, mas não para sempre (componentes e cabos frequentemente precisam ser trocados ou consertados por pessoas devido à degradação natural).

Computadores (os servidores que implementam os dados na tal da “internet”) rodariam, no máximo, por alguns anos antes de se entupirem de poeira ou falharem por algum componente defeituoso. As torres de resfriamento que mantém a temperatura de data centers baixa iriam, sem manutenção, se encher de algas e outros tipos de sujeira natural em questão de semanas ou meses, fazendo com que os sistemas de refrigeração falhassem e os computadores superaquecessem e morressem (isso se eles não desligarem automaticamente antes).

A internet em si depende de outras infraestruturas – como, por exemplo, servidores e tempo e DNS, que sofrem com os mesmos riscos. Apesar da tão comentada resiliência do TCP/IP, se os servidores DNS dos quais os data centers dependem caírem, por exemplo, o site também cai, então há uma fragilidade em efeito dominó quanto a falha é acumulada devido a energia, dados e falhas de computadores.

Apenas alguns poucos sistemas computadorizados foram feitos com qualidade e confiabilidade ponta-a-ponta que podem rodar perfeitamente por décadas (sistemas de controle de lançamento nuclear, marca-passos e satélites, por exemplo – e esses são difíceis ou até impossíveis de se realizar manutenção). A internet não foi construída com esse tipo de qualidade.


O que aconteceria com a internet se a humanidade desaparecesse?” apareceu originalmente no Quora: “Faça uma pergunta, obtenha uma grande resposta. Aprenda com especialistas e consiga informações privilegiadas.” Você pode seguir o Quora no Twitter, curtir sua página do Facebook e acompanhá-los no Google+.

Imagem: Shutterstock/carl ballou