O iPhone X foi lançado há pouco mais de seis meses, e pelo menos uma coisa continua verdadeira: o aparelho segue caro. No entanto, por mais que eu me odeie por ter pago US$ 1.000 em um smartphone e me odeie por gostar do dispositivo, gastar meio ano com o iPhone X revelou algumas novas verdades sobre ele. Um: Jony Ive está certo ao dizer que o Face ID é mais importante do que parece. Dois: a excelente compreensão da Apple sobre controle de qualidade está reduzindo. Três: uma vez que você se apaixona pelo iPhone X, não tem como voltar.

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O iPhone “barato” de nova geração pode abandonar um recurso que você provavelmente nunca usou

O iPhone X é fácil de ser amado. Mas mesmo os itens mais amados têm falhas detestáveis. Fora da caixa, o iPhone X é um dispositivo estranhamente mutante. Parece um iPhone e você pode interagir com ele como se fosse um. Aqui temos algumas diferenças entre este e as gerações anteriores que são imediatamente perceptíveis. A tela ocupa quase toda a parte frontal do smartphone. Não tem o botão home. Deslizar de formas esquisitas é a nova forma de navegar pelo aparelho. Isso tudo significa que a forma fácil de interação de itens da Apple parece não estar presente nesse telefone.

Esses fatos básicos confirmam que o iPhone X é diferente, mas eu me surpreendi com a rapidez com que aprendi essas novas formas de interação. Nas primeiras semanas de uso do smartphone, o diferente passou a parecer bacana.

O Face ID me impressionou muito. A Apple, como é sabido, não foi a primeira empresa a apresentar a tecnologia de reconhecimento facial, e o Face ID parecia uma dessas engenhocas que não servem para muita coisa quando a Apple anunciou. Mas a tecnologia funciona super bem, a tal ponto que transformou a forma como uso meu iPhone. Quando tento desbloquear o telefone, em 99 das 100 vezes, ele o faz em menos de um segundo. Olho para o meu iPhone enquanto estou de boné, e o iPhone desbloqueia. Olho para o meu iPhone enquanto estou de boné e no escuro, e o iPhone desbloqueia. E o melhor: não desbloqueia com outras pessoas — pelo menos, por enquanto. O aparelho é liberado de forma tão sem esforço que a funcionalidade parece desaparecer. Não penso mais em desbloquear o aparelho, ele só desbloqueia. Ponto.

Esses riscos na tela do iPhone X não são nada legais

O recurso, no entanto, não funciona tão bem para todo mundo. Conversando com amigos e colegas de trabalho, o Face ID apresentou algumas inconsistências para eles. Alguns me disseram que ele funcionou metade da vezes, e, na outra metade das ocasiões, eles usaram o código. Dito isso, o Face ID é ainda algo que só pode ser visto no iPhone X e, para mim, é uma experiência transformadora. Como um bônus, o Face ID também facilita a visualização de notificações e, em seguida, desbloqueia o conteúdo delas com um simples olhar. Tudo isso acaba contribuindo para que seja um telefone fácil e prazeroso de se usar.

Em termos de uso diário, fiquei também impressionado com a rapidez de processamento. O chip A11 Bionic, do iPhone X, foi descrito como mais poderoso que o de um MacBook Pro. É impressionante, mas não a ponto de fazer toda a edição de vídeos no meu iPhone, então eu não entendo todo esse poder de fogo do processador. O que eu posso dizer é que eu jogo bastante Sim City e que o jogo tem carregado talvez duas vezes mais rápido do que ocorria no meu antigo iPhone 7. Isso significa que o indicador real de que o iPhone X é uma baita máquina é que eu nunca precisei esperar para o dispositivo realizar suas tarefas.

Algo que eu levei tempo para aprender foram os novos gestos, mas foi mais fácil do que imaginei. Meus dois favoritos são os mais simples: “tocar para acordar” e “levantar para acordar”. É tão fácil checar o telefone agora. Enquanto isso, com a ausência do botão home, há uma série de gestos que permitem você navegar pelo dispositivo. Arrastar o dedo de baixo para cima para acionar as opções disponíveis no home é a interação mais natural e, na verdade, é bem divertida, a ponto de eu tentar fazer esse gesto em iPhones antigos. Deslizar para a parte de baixo da tela para trocar de aplicativos é bacana, embora eu só tenha adotado o hábito após alguns meses. Nem todos os gestos novos são legais. Forçar o fechamento de apps é especialmente ruim, porque não é intuitivo e ainda é incômodo.

Curiosamente, o resto das minhas reclamações sobre o iPhone X tem relação com o hardware. Este aparelho de US$ 1.000 é lindo quando sai da caixa, mas, ao usá-lo diariamente sem uma capinha, ele fica deteriorado. A tela provou ser particularmente suscetível a arranhões, um problemas que já foi noticiado em outros lugares. Algumas marcas são tão ruins que eu consigo vê-las quando a tela está ligada — eu diria que este é mais um problema estético.

Esses arranhões no vidro do display são particularmente esquisitos, pois, apesar de eu sempre colocar meu telefone com a tela para cima, o vidro da parte traseira está praticamente sem avarias depois desses seis meses. A protuberância das lentes da câmera com certeza ajuda a proteger essa parte traseira, mas a diferença me faz questionar se a Apple usou distintos tipos de vidro na parte frontal e na traseira.

Desgaste do aço inoxidável na borda do iPhone X

Uma outra questão que tive com este aparelho caríssimo é estritamente estética. Em meu modelo cinza espacial, a borda de aço inoxidável tem um acabamento esfumaçado sobre o cromado. Recentemente, notei que esse acabamento está lascando ou descamando, às vezes em áreas que nem parecem estar danificadas. Isso me lembra um problema que tive no acabamento do iPhone 5 que tive. E, olha, eu não sou o único com esse problema. Mais uma vez: isso é uma questão estritamente estética, mas que, de alguma forma, é frustrante, pois você gastou um dinheirão em um gadget que fica com aparência de frágil ou danificado em questão de meses.

“Ah, coloca uma capa”, você pode estar pensando. “Esconda toda a beleza do design industrial sobre um case de couro ou silicone. Coloque uma película de vidro sobre o display para que fique horrível toda vez que você interagir com o aparelho.” Eu nunca gostei de capas e, com certeza, não vou começar a gostar delas agora. Por que eu colocaria uma capa se o iPhone X é tão bonito sem uma?

Mesmo com esses defeitos, minha interação com o iPhone X soma uma série de experiências positivas. Tenho uma bela tela em um smartphone que cabe confortavelmente no meu bolso. Quando meus cachorros fazem algo fofo, posso pegar o telefone e usar o zoom óptico para se aproximar do rostinho deles rápido o suficiente para não perder o momento. Eu posso assistir a O Poderoso Chefão e não me preocupar com uma imagem muito pequena (assisti a toda a trilogia no meu iPhone X). Posso alternar entre meu calendário e mensagens de texto ou um app de empresa aérea e planejar minha próxima viagem sem me preocupar. É como se o iPhone X reduzisse os problemas de usar um smartphone com muita frequência. O aparelho não é perfeito, mas, ressalto novamente, é prazeroso utilizá-lo.

Na parte de trás, nada de riscos no iPhone X

No fim das contas, o iPhone X parece um smartphone que vai durar para sempre, algo que nunca vou precisar atualizar. A borda escamosa e a tela arranhada incomodam, mas posso usar o AppleCare e reparar esses dois itens (tentei substituir a tela, mas um cara no Genius Bar me disse que os arranhões rolaram por minha culpa, e eles queriam US$ 30 para substituir a tela). Em termos de hardware, não acho que a Apple virá com algo muito diferente e tão significativo tão cedo — com significativo, me refiro ao Face ID, que é uma tecnologia nova. Devo dizer que também acredito nos rumores de que a Apple disponibilizará a tela que ocupa toda a parte frontal e o notch (entalhe) em aparelhos mais baratos e que o jeitão do iPhone X se tornará padrão.

Seria fantástico se meu iPhone X durasse mais do que alguns ciclos de produto. Foi caro pra caramba! O modelo que eu uso de 256 GB custou US$ 1.200. Se eu voltasse no tempo, mais precisamente em 3 de novembro, quando o iPhone X foi lançado nos EUA, teria comprado o aparelho. Se, em um universo alternativo, eu ainda estivesse usando o meu iPhone 7, teria pensado duas vezes.

A Apple normalmente anuncia novos smartphones em setembro. Mas, acredite em mim: o que está por vir deve parecer muito com o iPhone X. Não deve ter esse nome, mas isso não importa. Se funcionar tão bem quanto o iPhone X, você vai querer um.

Todas as fotos por Adam Clark Estes