O Japão anunciou esta semana que vai se separar da Comissão Baleeira Internacional (CBI) para retomar suas práticas comerciais de caça de baleias. Há anos, o Japão explora uma brecha na moratória internacional da CBI sobre a matança de baleias. O anúncio vem depois que a comissão se recusou a aprovar sua oferta pela caça comercial de baleias, informa o Wall Street Journal.

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O secretário-chefe de gabinete do Japão, Yoshihide Suga, disse nesta quarta-feira (26) que a retirada entraria em vigor em 30 de junho de 2019, com a retomada da caça às baleias em suas águas e sua zona econômica exclusiva em julho de 2019, segundo a Reuters. Suga também declarou que a caça de baleias no Japão “será conduzida de acordo com a lei internacional e dentro dos limites de captura calculados em conformidade com o método adotado pela CBI para evitar impactos negativos nos recursos cetáceos”.

A medida marca uma ruptura significativa — o Japão havia abandonado a prática há mais de 30 anos. No entanto, como observou o Journal, uma brecha no acordo da CBI permitia que o Japão abatesse centenas de baleias anualmente, sob o pretexto de servir para a pesquisa científica.

A Agência de Pesca do Japão defendia sua interpretação problemática da moratória internacional da caça às baleias, alegando que o objetivo da chamada pesquisa era “fazer um cálculo detalhado do limite de captura das baleias-anãs e estudar a estrutura e a dinâmica do sistema ecológico no Oceano Antártico.” É uma alegação que há muito é vista como mentirosa, e a carne de baleia está amplamente disponível em todo o país. Diz a Associated Press:

Autoridades de pesca disseram que o Japão consome anualmente milhares de toneladas de carne de baleia da pesquisa, principalmente por japoneses mais velhos que buscam uma refeição nostálgica. É uma fração do suprimento de carne de baleia do país antes da moratória da CBI, que era de cerca de 200 mil toneladas.

O anúncio recebeu condenação generalizada pela comunidade científica e ativistas. Astrid Fuchs, da organização Whale and Dolphin Conservation, criticou a decisão, dizendo à BBC que a medida poderia “estabelecer um precedente” para que outros países fizessem o mesmo. Uma supervisão tímida das práticas baleeiras do Japão, acrescentou Fuchs, poderia “significar desgraça para algumas populações”.

A Agência de Pesca vai capturar baleias baleias-de-bryde, baleias-anãs e baleias-sei, de acordo com a Associated Press. A agência de notícias ainda cita números de estoque adequados. Mas Fuchs disse que a população de baleias-anãs perto do Japão já está ameaçada, e Sam Annesley, diretor-executivo do Greenpeace Japão, levantou preocupações sobre a caça comercial de baleias-sei, entre outras.

“Como resultado da moderna tecnologia de barcos, a pesca excessiva em águas costeiras japonesas e áreas de alto mar levou ao esgotamento de muitas espécies de baleias”, disse Annesley em um comunicado. “A maioria das populações de baleias ainda não foi recuperada, incluindo baleias maiores como baleias-azuis, baleias-comuns e baleias-sei.”

Annesley disse que o anúncio do Japão “está fora de sintonia com a comunidade internacional, muito menos a proteção necessária para salvaguardar o futuro dos nossos oceanos e essas criaturas majestosas”.

[Wall Street Journal]