O Japão enfrenta um “problema” (vamos chamar assim) que acendeu o sinal vermelho nas autoridades do país: o número de recém-nascidos vem caindo drasticamente ano a ano. Para tentar a barrar a queda na taxa de natalidade, o governo tem buscado ajuda na inteligência artificial (IA), que está formando novos casais. Até o cupido tradicional agora virou eletrônico.

Pode parecer coisa futurista, mas esse tipo de estratégia não é novidade no Japão. De acordo com o jornal Sora News 24, cerca de 25 das 47 prefeituras japonesas já utilizam algum tipo de tecnologia baseada em IA para estimular o encontro entre solteiros. Os serviços de namoro trazem uma espécie de catálogo com potenciais matches, e os usuários podem inserir suas preferências na busca por um parceiro ou parceira. Isso inclui idade, nível educacional e até renda financeira.

A questão é que essas características não têm sido suficientes para o governo do Japão. E aí entra o uso da inteligência artificial, que pode aprimorar essas plataformas, que ainda não são avançadas a ponto de conectar pessoas com interesses em comum.

Com a IA, os novos sistemas de namoro devem oferecer um conjunto de perguntas mais personalizado, trazendo tópicos mais específicos relacionados aos valores pessoais de cada usuário. Obviamente, isso levanta dúvidas quanto à segurança e privacidade, já que as pessoas teriam que compartilhar mais informações para tornar esse sistema mais apurado. Se esse é o preço a se pagar para encontrar a alma gêmea, então a responsabilidade é de cada um.

E quem acha que o governo está de brincadeira, é melhor pensar duas vezes. As autoridades estão dispostas a pagar por dois terços (60%) dos custos de introdução e operação dos novos sistemas de inteligência artificial. O governo, inclusive, já pediu aprovação de um orçamento de dois bilhões de ienes (o equivalente a R$ 96,2 milhões) para colocar em prática o novo serviço de namoro. O lançamento está previsto para o terceiro trimestre de 2021.

Desde o início dos anos 2000, o Japão viu o número de novos matrimônios cair dos 800 mil anuais para 600 mil em 2019. A taxa de natalidade também é uma das mais baixas do mundo. No ano passado, o número de recém-nascidos caiu para 865 mil – uma queda de 5,8% em comparação com 2018. Foi a menor quantidade da história do Japão.

[CNET, Reuters]