Após a participação em Star Wars o levar a uma conclusão decepcionante sobre a indústria, John Boyega não perdeu tempo e usou suas redes sociais para falar abertamente sobre as questões da franquia e sobre o cinema. Em uma nova entrevista à GQ, ele discutiu como seus colegas se sentem a respeito e diz o que ainda pode ser feito pela inclusão racial.

Sem surpresa, a franqueza de Boyega atraiu críticas de muitos que achavam que ele deveria ter ficado satisfeito e grato apenas por ter sido escalado para Star Wars. A criação de Finn para a trilogia mais recente da Lucasfilm foi um passo importante para tornar a franquia mais inclusiva. Mas as reações racistas contra Boyega foram e continuam a ser um retrato importante de como esse público responde à ascensão de negros em Hollywood.

Analisando como Finn foi minimizado em alguns anúncios, e como o arco do personagem acabou parecendo mais uma reflexão tardia, é justo dizer que Disney e Lucasfilm deixaram a bola cair.

Para alguns, Boyega falar publicamente sobre essas coisas era uma tentativa de chamar a atenção para si mesmo. Em uma entrevista recente à NPR, Boyega falou que está ciente das críticas, e explicou que essa energia é apenas o resultado do posicionamento dele fora das câmeras.

“Bem, acho que eu queria discutir o elefante na sala, que às vezes é facilmente descartado. Porque fazer isso é visto como um ato egoísta, uma forma de colocar a atenção em você”, disse ele. “Eu queria discutir uma questão que conversei com atores no set, uma questão que eu havia discutido com profissionais, executivos, produtores que eu encontrava, que estavam percebendo o mesmo que eu.”

Boyega afirmou que nas semanas seguintes à fala dele sobre Star Wars, ele começou a ouvir comentários de outros atores negros que o viam como exemplo. “E eu acho que essas conversas deveriam ser realizadas”, disse Boyega. “E estou feliz por ter podido dizer algo sobre isso. Quando essa conversa começou, falei com atores que disseram: ‘Agora temos uma referência. Agora podemos ter uma discussão com o diretor.’”

Embora Boyega seja mais conhecido por sua atuação, em 2016 ele criou a Upperroom Entertainment Limited, a co-produtora de “Círculo de Fogo: A Revolta”. Sobre seu trabalho nos bastidores, Boyega contou como teve Tyler Perry e Macro (a empresa por trás de “Judas e o Messias Negro”) como exemplos de promoção de mudanças em Hollywood.

Você pode ver essa mudança no número de projetos sendo autorizados e apresentados às telas com atores negros, mas Boyega também apontou que é importante entender como esses tipos de projetos se unem para ter uma melhor imagem de como a indústria opera.

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“Estou começando a observar essas equipes e, às vezes, as plataformas de streaming podem entrar no jogo da diversidade apenas comprando projetos”, detalhou Boyega. “Tipo, você sabe, a diversidade está vindo dos tomadores de decisão em sua equipe, os executivos, os produtores? Ou está vindo através de você adquirir projetos negros?”

Independentemente de como essas séries e filmes se unem, o que sempre acaba sendo a chave para se os personagens entrarem na mente do público é apresentá-los de uma forma que os torne impactantes. Isso pode ser feito através de anúncios, mas também por meio das próprias histórias e de momentos especiais nos filmes que fazem você se sentir bem a respeito dos personagens.

Falcão e Soldado Invernal

Para Boyega, “Falcão e o Soldado Invernal”, da Marvel se propôs a dar a Sam Wilson os momentos especiais que fizeram dele o novo Capitão América após “Vingadores: Ultimato”, por exemplo. “Agora temos pessoas assistindo “Falcão e o Soldado Invernal”, e muitas delas têm comentado sobre a elevação do personagem, certo?”, disse Boyega. “Você sabe, e podemos ver, que temos essa reação porque o personagens tem esses momentos especiais.”

Com a sequência recém-anunciada de “Ataque ao Prédio”, parece que Boyega pretende viver pelo exemplo e continuar a investir seu tempo e energia na construção de outra franquia. Será interessante ver os próximos movimentos dele, nem que seja apenas para fazer anotações.