Por muitos anos, o Windows vem acompanhado por um antivírus nativo para melhorar a segurança do sistema operacional. No entanto, a Kaspersky diz que isso foi longe demais no Windows 10: ela acusa a Microsoft de práticas anticompetitivas, e a Rússia vai investigar o caso.

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O bilionário russo Eugene Kaspersky, desenvolvedor do antivírus de mesmo nome, escreve em seu blog que a Microsoft criou obstáculos para produtos de terceiros no Windows 10.

São três problemas principais. Primeiro, as telas de aviso do Windows 10 incentivam o usuário a ativar o Defender, com um botão laranja escrito “Ativar” – só que isso desativa automaticamente o antivírus de terceiros, mesmo que ele esteja atualizado e funcionando bem.

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Segundo, ao atualizar para o Windows 10, o sistema operacional detecta quais programas não são suportados e os desinstala automaticamente, sem aviso prévio – o usuário só recebe o aviso depois que a atualização estiver concluída. Nesse processo, o antivírus da Kaspersky vem sendo removido e substituído pelo Windows Defender.

Por fim, a Kaspersky diz que a Microsoft dá pouco tempo – cerca de sete dias – para desenvolvedores testarem antivírus no Windows 10.

Sim, existe o programa Insider – no qual você pode testar versões de teste do Windows – mas ele vem com um aviso de que não é compatível com determinados antivírus, e que softwares de terceiros podem ser removidos, segundo o Ars Technica.

Por isso, Kaspersky quer que o Windows 10 seja mais explícito durante a instalação de que ele irá remover o antivírus; e que o sistema recomende instalar uma versão compatível após a atualização.

Além disso, ele pede que as autoridades obriguem a Microsoft a “fornecer novas versões e atualizações do Windows a desenvolvedores independentes em tempo útil para que eles possam manter a compatibilidade do seu software com o Windows”.

O Serviço Federal Antimonopólio da Rússia (FAS) já confirmou que está investigando se a Microsoft abusou da sua posição no mercado com o Windows 10, dizendo que a empresa tem “vantagens injustificadas” em questão de antivírus. A Kaspersky também abriu uma reclamação com a União Europeia.

Desde 2012, a Microsoft embute seu próprio antivírus Windows Defender (antes conhecido como Security Essentials) no sistema operacional. No final de 2015, a Microsoft detinha 16% do mercado de antivírus, seguida pela Avast (15%) e Malwarebytes (11,6%); a Kaspersky tinha apenas 4%, segundo a OPSWAT.

[Kaspersky via Ars Technica e The Register]