Antes tarde do que nunca.

Doutor Estranho tinha como objetivo principal trazer a magia para o Universo Cinematográfico Marvel antes do confronto entre os Vingadores e Thanos. Mas o filme também chamou atenção para algumas verdades racistas e decepcionantes sobre personagens cômicos da Idade de Prata como Stephen Strange.

Quando a Marvel Studios anunciou que planejava produzir Doutor Estranho, os quadrinhos já estavam em processo de mudar alguns dos elementos mais problemáticos e tradicionais do personagem. O estúdio, por outro lado, precisava descobrir como adaptá-lo para a telona para ganhar novos fãs e satisfazer os mais saudosistas.

A escalação de Tilda Swinton (que é branca) como o Ancião (que é um homem tibetano nos quadrinhos) acabou sendo a mudança mais visível do estúdio que presumiu que simplesmente por fazer do personagem uma mulher branca, estavam se esquivando de uma bala.

Enquanto tentavam mostrar para Marvel que a ação não deu certo, o Ancião de Swinton veio e foi, e voltou brevemente em “Vingadores: Ultimato”, e o que está feito, está feito. Mas o diretor da Marvel, Kevin Feige, agora gostaria de deixar registrado que entende que algumas escolhas erradas foram feitas.

Em uma entrevista recente para Men’s Health, Feige admitiu que ele e o resto do estúdio realmente pensou ter feito algo inteligente com Swinton, mas que seu desejo genuinamente era tentar evitar colocar uma caricatura racista em um filme.

“Achamos que estávamos sendo muito inteligentes e inovadores”, disse Kevin Feige. “Não vamos fazer o clichê do homem asiático enrugado, velho e sábio. Mas foi um alerta para dizer: ‘Bem, espere um minuto, há alguma outra maneira de descobrir isso? Existe alguma outra maneira de não cair no clichê e escalar um ator asiático?’ E a resposta para isso, claro, é sim.”

Não há como separar a marca Doutor Estranho do orientalismo aberto do quadrinho original, que foi parte-chave do personagem. A jornada de Stephen para o Himalaia, onde ele conhece um homem tibetano místico que lhe ensina as habilidades para se tornar o feiticeiro mais poderoso do planeta é a origem do herói.

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Tanto o Ancião sendo uma pessoa mágica de uma cidade secreta e mística, quanto sua concordância em ensinar um ocidental branco a usar magia são partes do cânone do Doutor Estranho. Isso sempre foi atravessado por um tipo de racismo bastante comum em gêneros de ficção.

Por mais que estúdios e editoras não queiram reconhecer que partes de sua propriedade intelectual estão contaminadas com racismo, essa é uma das armadilhas de ser um grande jogador no jogo que existe há décadas. Isso é algo que essas empresas deveriam estar atentas.
Tentar fugir da feiura do passado é uma opção presente, mas os estúdios não andam fazendo muitas coisas para abandonar isso. Realmente não se fala muito sobre como esses personagens poderiam ser reimaginados.

Dito isso, Feige reconhecer que o estúdio deu um passo à frente com o Ancião é a atitude certa, nem que seja apenas para deixar o público saber que eles estão cientes dos próprios erros e que pretendem corrigir o curso daqui para frente. Claro, teremos que realmente ver como isso se desenrola nas ações futuras da Marvel, em vez de suas palavras após o fato.