Quando se trata de pousar um robô em outro planeta, talvez a questão mais importante seja onde colocá-lo . Os pesquisadores por trás da missão ExoMars, que consiste em um rover e um aterrissador, agora anunciaram sua localização preferida em Marte.

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Depois de vários anos de discussão, os cientistas selecionaram a planície Oxia Planum como o local ideal, segundo um anúncio feito em uma reunião no National Space Centre em Leicester, no Reino Unido. Embora esteja ainda sujeita a uma revisão mais ampla, essa localização pode ser um ponto privilegiado para determinar se algum dia houve vida em Marte.

“Podemos cumprir os objetivos da missão lá, e a trafegabilidade é muito boa — o rover poderá dirigir”, disse Veronique Dehant, principal investigadora do experimento de rádio-ciência Lander da plataforma de superfície, do Observatório Real da Bélgica, em entrevista ao Gizmodo.

Versão de um artista para o ExoMars. Ilustração: ESA

O ExoMars 2020 é a próxima parte das missões ExoMars: uma plataforma de rover e de pouso que será enviada a Marte como parte de uma missão conjunta entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Roscosmos, da Rússia. O rover e a plataforma consistem em instrumentos para medir a poeira e a atmosfera do planeta e se separarão logo antes do pouso. O principal objetivo da missão é encontrar evidências de moléculas orgânicas profundas na poeira marciana e, talvez, de bioassinaturas, sinais químicos de vida.

Considerando que Marte tem quase tanto terreno quanto a Terra tem acima da água, escolher um local tem sido um longo processo, de acordo com um comunicado da ESA. Tal local precisa ser cientificamente interessante, com sinais de um passado úmido. Ele também deve estar em uma área baixa, para maximizar a quantidade de atmosfera disponível, a fim de desacelerar a carga que fará o pouso, com seus foguetes e paraquedas. E tem que ser plano o suficiente para que o pouso seja feito com segurança e para que um rover possa navegar.

A planície Oxia Planum fica ao norte do equador de Marte. Canais cortando a argila do local são sinais de cursos de água do passado e são também um potencial reservatório de moléculas orgânicas.

A escolha vem depois de um processo de cinco anos que começou com um grupo de trabalho organizado e, depois, com uma chamada para indicações. A equipe reduziu suas opções para dois locais, Oxia Planum e Mawrth Vallis, mais ao norte. Embora ambos fossem cientificamente interessantes e o Mawrth Vallis tivesse uma geologia um pouco mais diversa, a Oxia Planum venceu, sendo o local mais navegável em uma elevação mais baixa.

Os dois locais de pouso potenciais. Gráfico: NASA/JPL

Cientistas de missão não conseguem identificar um local exato para o pouso — em vez disso, eles criam uma elipse que serve como alvo para os componentes de pouso. A área é relativamente livre de obstáculos, exceto por uma cratera em seu canto. As chances de aterrissar na única cratera são relativamente pequenas, disse Dehant.

Evidentemente, existe mais por trás de um pouso bem sucedido do que apenas escolher um bom lugar — a descida precisa ir conforme o planejado. Em 2016, o aterrissdor ExoMars Schiaparell caiu devido a um erro em seu computador de bordo.

Escolher um local de aterrissagem determina que tipo de ciência se pode esperar que um rover conduza. A Oxia Planum não é muito diferente da cratera Gale, suposto leito do lago antigo que é atualmente o lar do rover Curiosity, da NASA, em termos do tipo de descoberta científica que oferece, explicou Dehant ao Gizmodo. Mas ela espera que a planície seja um lugar fértil para procurar por bioassinaturas.

No entanto, os experimentos do rover não vão apenas analisar a poeira — haverá um conjunto de instrumentos para estudar o clima e a atmosfera do planeta. Afinal, não só os resultados recentes da Curiosity encontraram moléculas orgânicas no planeta, mas também uma estranha variação sazonal em seu metano atmosférico.

Cientistas interessados na atmosfera marciana talvez tenham menos exigências sobre o local de pouso da missão. Eles só precisam que o experimento chegue ao planeta funcionando.

“Contanto que esteja seguro”, disse Francesca Ferri, investigadora principal do experimento Atmospheric Mars Entry and Landing Investigation and Analysis, parte da ExoMars 2016, disse ao Gizmodo. “Isso é o mais importante.”