Você não se aproxima de um colega de trabalho sem algum tipo de saudação e não encerra as conversas simplesmente dando as costas. Sabemos que existem regras básicas de convívio social. Agora, uma equipe de pesquisa que estuda chimpanzés e bonobos (chimpanzé-pigmeu, animais menores) diz que esses macacos têm hábitos sociais que se parecem muito com o que nós, humanos, chamamos de “olá” e “adeus”.

A equipe de pesquisa observou mais de duas mil interações entre chimpanzés e bonobos. Essas saudações e despedidas — que ocorreram cerca de 78% do tempo entre os chimpanzés e 90% do tempo entre os bonobos engajados em atividades cooperativas — parecem vir na forma de contato físico e olhares fixos entre os indivíduos, pelos quais os animais participam da ação compartilhada, pode confirmar que todos podem se adaptar.

Essas “fases de ação conjunta”, como os pesquisadores as chamam, parecem ser um aspecto bastante comum do comportamento social dos macacos. “Curiosamente, o padrão espelha o que encontramos nos humanos e o que algumas pessoas definem como ‘etiqueta social’ ou ‘polidez’: ao interagir com um bom amigo, é menos provável que você se esforce para se comunicar educadamente. Nos bonobos, um padrão semelhante é evidente na estrutura das fases de ação conjunta”, disse Raphaela Heesen, pesquisadora da Durham University, na Inglaterra e principal autora do estudo, por e-mail.

Pode ser que os macacos queiram ter certeza de que tudo está bem antes de, por exemplo, começar uma briga por nada. Apesar disso, os pesquisadores alertaram contra a visão excessiva do comportamento dos macacos pelas lentes de como os humanos se comportam.

Entre os bonobos, a duração das interações parecia indiferente às hierarquias sociais dentro do grupo. Quanto mais próximos dois indivíduos estivessem um do outro, mais breves seriam as saudações e as partidas. A equipe supôs que os bonobos poderiam levar em conta o contexto social em suas interações mais do que os chimpanzés por causa das diferentes maneiras como os dois grupos de macacos se organizam; os bonobos têm hierarquias sociais mais igualitárias do que os chimpanzés, que por sua vez, se organizam em classificação com base na agressão física.

Além do contato visual, os contatos físicos, como tocar um no outro, dar as mãos e bater de cabeça, eram usados ​​para indicar o início e o fim de ações conjuntas, e muitas vezes em forma de brincadeiras ou cuidados.

Os pesquisadores ainda não têm certeza de como essas diferentes formas de reconhecimento variam em seus significados específicos, mas eles esperam definir um padrão em observações futuras, que também olharão para outras espécies de grandes macacos, como gorilas.

Chimpanzés e bonobos são grupos relevantes para investigação desses fenômenos, já que as duas espécies compartilham mais de 98% do nosso DNA e estão mais próximas de nós na árvore evolutiva, comparadas a outros macacos. Quão perto estamos relacionados é uma dádiva para primatologistas, antropólogos e psicólogos sociais: As capacidades sociais que compartilhamos – e também tudo aquilo que não temos em comum – podem elucidar as diferentes perspectivas da evolução humana, que nenhum fóssil hoje foi capaz de fornecer.

Imagem: INA FASSBENDER / AFP (Getty Images)

Heesen disse que esses sinais de cumprimento e despedida podem mudar a forma como entendemos as diferenças entre nossa própria espécie e outros primatas. “A intencionalidade compartilhada foi considerada o cerne da natureza humana, permitindo-nos atingir objetivos de longo prazo que, de outra forma, não seriam alcançáveis ​​por apenas um único indivíduo”, disse ela.

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“A possibilidade de que o compromisso conjunto como um processo esteja presente em nossos parentes mais próximos esboça um quadro de um ‘continuum evolutivo’, ou seja, conceito de que os seres humanos têm um conjunto inato de expectativas, que acredita que nossa evolução como espécie nos projetou para alcançar desenvolvimento físico, mental e emocional e adaptabilidade”, explica.