Uma nova mãe em Bangladesh teve uma grande surpresa na semana passada: menos de um mês depois de ter dado à luz um menino saudável, ela voltou ao hospital e deu à luz dois gêmeos que carregava em um segundo útero sem saber. Por sorte, todas as crianças foram paridas sem complicações.

O parto duplo foi inicialmente noticiado pela AFP. De acordo com entrevistas com Sheila Poddar, médica e ginecologista da mulher no Hospital Ad-Din, em Dhaka, capital de Bangladesh, a mãe não estava ciente de sua situação singular até ser forçada a buscar cuidados médicos para dores abdominais, fazendo então um ultrassom.

“Ela não percebeu que ainda estava grávida de gêmeos. Sua bolsa estourou de novo 26 dias depois de o primeiro bebê nascer, e ela correu até a gente”, disse Poddar à AFP.

Mulheres nascidas com dois úteros não são um caso inédito. O nome formal para a condição é útero didelfo. As estimativas do quão comum ela é são granulares, principalmente porque muitas mulheres não experimentam nenhum sintomas como resultado da condição. Mas é provavelmente muito raro. Uma revisão de 2011, por exemplo, estimou que 0,3% das mulheres na população geral tinha dois úteros. Algumas mulheres afetadas pela condição parecem estar em risco mais alto de complicações durante a gravidez ou o parto. No entanto, nesse caso, o garoto e as gêmeas foram paridos com sucesso por meio de cesárea sem nenhuma dificuldade extra.

Na verdade, houve relatos de caso de gravidezes duplas de mulheres com úteros duplos (e até mesmo de uma que tinha dois cérvixes). E o caso de mulheres com úteros triplos também não é sem precedentes, de acordo com um relato de caso de 1981. Nessa situação, os primeiros dois bebês foram paridos prematuramente, com 27 semanas, enquanto o terceiro demorou mais 72 dias para chegar.

O que torna esse caso especialmente notável é a falta de aviso prévio antes do nascimento dos gêmeos. De acordo com Poddar, o mistério foi humano, não biológico. Os médicos não realizaram nenhum ultrassom durante a gravidez da mulher, o que teria identificado os bebês extra.

Por mais peculiar que a história da mulher seja, ela tem implicações preocupantes. A falta de um ultrassom, uma prática padrão em países como os Estados Unidos, é indício do sistema de saúde público ruim de Bangladesh e da insegurança financeira que muitos moradores enfrentam, especialmente aqueles que vivem em áreas rurais. E, embora a mulher e seus três filhos tenham todos conseguido deixar o hospital com saúde, ela agora está preocupada em poder cuidar de sua nova família, considerando os salários baixos de seu marido.

“Não sei como conseguiremos administrar tamanha responsabilidade com tão pouco”, ela disse à AFP.