Com 23,8 metros de altura e agitada por uma tempestade feroz, esta é a maior onda já registrada no hemisfério sul, relatam cientistas da Nova Zelândia.

“Este é um evento muito empolgante e, até onde sabemos, é a maior onda já registrada no hemisfério sul”, disse Tom Durrant, oceanógrafo sênior da MetOcean Solutions, em um comunicado. “Portanto, essa é uma tempestade muito importante de se capturar e ela irá acrescentar muito ao nosso entendimento sobre a física de ondas sob condições extremas no Oceano Antártico.”

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A onda foi registrada na noite de 9 de maio por uma boia da MetOcean, que está atualmente flutuando no Oceano Antártico, próxima da Ilha Campbell, cerca de 692 quilômetros ao sul da Nova Zelândia. A onda alcançou uma altura de 23,8 metros, conforme uma tempestade passava pela região. O recorde anterior, também registrado pela MetOcean Solutions, era de uma onda de 19,4 metros que passou pela mesma faixa de oceano no ano passado.

Simulação da tempestade: vento e pressão média do nível do mar (à esquerda) e altura significativa de onda (à direita) passando pelo sul da Nova Zêlandia (GIF: MetOcean Solutions)

A onda foi detectada por uma única boia abastecida por energia solar, que coleta amostra de condições de ondas por 20 minutos a cada três horas. A amostragem intermitente é feita para conservar energia. Durante o período de registro, a altura, o período e a direção de cada onda são medidos, e os dados, transmitidos para um satélite. Oceanógrafos da MetOcean Solutions, uma subsidiária do serviço estatal meteorológico da Nova Zelândia, o MetService, acreditam que os picos de altura de ondas foram ainda maiores durante a tempestade. A previsão deles esperava que ondas individuais alcançassem alturas de 25 metros.

O Oceano Antártico é umas das áreas menos estudadas da Terra. Seus ventos energéticos e persistentes o tornam uma “sala de máquinas” para o desenvolvimento de ondas, produzindo ondas que atravessam o globo, incluindo as icônicas ondas de surfe que chegam à costa da Califórnia.

A tempestade de 9 de maio foi gerada pela passagem leste de um sistema profundo de baixa pressão, acompanhada de ventos alcançando 120 km/h. Essas tempestades de baixa pressão são comuns no Oceano Antártico e podem acontecer em qualquer momento do ano, diferentemente do que ocorre no hemisfério norte, onde tempestades parecidas só acontecem no inverno.

Ao medir ondas, oceanógrafos usam uma métrica chamada “altura significativa de onda”. É um valor padrão que caracteriza condições do mar e pega a média do maior terço de uma onda medida. A tempestade de 9 de maio produziu uma altura significativa de onda de 14,9 metros, o que é agora um recorde para o Oceano Antártico. Mas não é a maior já registrada; essa glória vai para uma onda de 2013 no norte do Oceano Atlântico, com altura significativa de onda de 19 metros.

[MetOcean Solutions]

Imagem do topo: MetOcean Solutions