por Bruno Izidro

A vida de Geralt de Rívia sempre foi bastante atarefada, seja matando monstros ou se envolvendo em conflitos com feiticeiras e reis. Porém, nunca o bruxeiro ficou tão ocupado como em The Witcher 3: Wild Hunt e suas centenas de missões e tarefas espalhados pelo vasto mapa do jogo.

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Tão ocupado quanto Geralt é o presidente e um dos fundadores da CD Projekt, Marcin Iwinski (só esperamos que ele não esteja também matando grifos por aí), mas entre uma viagem de trabalho e outra, ele arranjou um tempo para responder uma pergunta que enviamos justamente sobre aquilo que faz o mais recente jogo da empresa uma experiência tão incrível:

Qual a sua quest favorita de The Witcher 3 e por quê?

A resposta dele com certeza foi inesperada: “Aquela que me vem primeiro a cabeça é ‘The Frying Pan’”. The Frying Pan (ou “Uma Frigideira nos Trinques” na versão brasileira) é uma pequena quest que pode ser feita logo no começo do jogo, na primeira área de Pomar Branco, onde uma senhora preocupada pede que Geralt use toda a expertise de Bruxeiro para pegar… uma panela que está dentro de uma casa trancada.

“(Essa é a minha favorita) porque é divertida, totalmente inesperada e diferente do que você esperaria”, fala Iwinski. “Ao mesmo tempo, apesar de ser quase uma piada, ela faz menção à história principal e você sente que ela faz sentido e se encaixa ali”.

O fundador da CD Projekt também fala de outra missão, dessa vez mais importante, e que demonstra toda a complexidade do jogo: a longa quest do Barão Sangrento, em Velen. “Ela é uma puta história com profundidade e tons de cinza, e quanto mais você progride, mais descobre o quanto ela afeta você (ou, na verdade, eu) e a maneira como eu me sinto sobre o personagem do Barão”, explica.

“Ele parece mau, depois se torna humano, depois um indivíduo realmente perturbado e, por consequência, isso me deixa pensando sobre toda a história ainda mais, despertando emoções no processo. Tudo isso era novo e inesperado e é isso que eu espero de um jogo – ser surpreendido e desafiado o tempo todo”.

The Witcher 3: Wild Hunt_20150523031353

Esses exemplos de Iwinki mostram o quanto as missões conseguem ser o ponto alto do jogo, não só pelas histórias que transmitem, mas por surpreender o jogador diversas vezes com objetivos que vão muito mais do desembainhar suas espadas.

As escolhas do Gizmodo

Aproveitando esse embalo, adiciono outras quests interessantes que me deparei nas mais de 290 horas que tive em The Witcher 3. Elas não chegam a ser essenciais para completar o jogo (portanto os spoilers são mínimos), mas com certeza ajudam a enriquecer a experiência nele.

Flores Quebradas

Geralt passa boa parte do jogo procurando pessoas importantes. Primeiro é Yennefer, depois é Ciri e em “Flores Quebradas” ele está atrás de Dandelion, o amigo bardo/trovador do bruxeiro.

A missão é uma ótima oportunidade para se conhecer e explorar melhor a enorme cidade de Novigrad. Fora que, em certo ponto, podemos até participar de uma corrida de cavalos. Porém, o que deixa essa missão realmente marcante são dois momentos específicos.

No primeiro, Geralt vai atrás de uma das namoradas de Dandelion, mas acaba se deparando com uma surpresa.

O melhor da cena é como o jogo expõe de forma positiva a situação. O elfo drag-queen não é posto como algo caricato como estamos acostumados, e sim uma pessoa que quer ter a liberdade de ser quem ele quiser. Shantay.

Outro ponto alto e, eu diria, um dos momentos mais bonitos do jogo todo é a apresentação musical da barda amiga de Dandelion: Priscilla. Ela toca uma canção composta especialmente para o jogo e que se chamada “The Wolven Storm”. A letra fala da relação de Geralt com a feiticeira Yennefer, o que tira aplausos até mesmo do bruxo.

O Último Desejo

A missão tem o mesmo nome do primeiro livro da série The Witcher (saiba mais aqui) e, por isso, é um belo fanservice para quem acompanha as histórias do bruxeiro das obras do autor polonês Andrzej Sapkowski, algo que se repete outras vezes no decorrer do jogo.

Ao mesmo tempo, a quest consegue aprofundar e explicar para os jogadores que não leram os livros porque a relação de Geralt com Yennefer é tão complicada e intensa. Afinal, é a primeira vez que a feiticeira de Vengerberg aparece nos jogos, mas eles têm uma história cheia de altos e baixos e é aqui que tudo pode se resolver de uma vez por todas.

“O Último Desejo” também é um bom exemplo do quanto o mundo de The Witcher 3 é enorme, não só por terra, mas também no fundo do mar.

Gwent

Esta não é uma quest específica, mas uma das atividades mais legais para se fazer em The Witcher 3: jogar o minigame de cartas. Gwent tem um quê de Hearthstone e substitui o Dice Poker dos jogos anteriores. Ele pode não parece tão interessante assim no começo, com tantas regras para absorver e facções com cartas específicas, mas vale a pena dar uma chance ao minigame.

Gwent envolve um pouco de sorte, é verdade, mas ele tem muito mais estratégia do que Dice Poker. Saber gerenciar o seu deck de cartas é a chave para vencer.

Seja desafiando ferreiros, comerciantes ou mesmo nobres, aos poucos você vai pegando gosto por Gwent e, quando menos percebe, já está procurando pelas cartas especiais dele. Em The Witcher 3, há pelo menos quatro quests relacionadas ao jogo. Nelas você deve desafiar oponentes especiais (e bem fortes) para ganhar cartas especiais, todas elas baseadas em personagens do próprio jogo, como Vesemir, Triss e o próprio Geralt.

Esses desafios estão espalhados em todas as regiões, ou seja, são quests que você irá realizar durante todo o jogo. Agora, pra quê é preciso essa cartas? Bem, uma quest opcional chamada “Jogo Grande” fica disponível após chegar a cidade de Novigrad e é um torneio que reúne a elite dos jogadores de Gwent. Para participar, no entanto, é preciso ter um número considerável dessas cartas especiais.

O Puteiro da Gansa

The Witcher 3 possui facilmente mais de cem missões e atividades para se fazer. Muitas delas podem até ser meio sacais depois de um tempo, como acabar com um acampamento de bandidos ou destruir um ninho de monstros, mas essas citadas acima são apenas uma pequena amostra do que se pode encontrar por lá – o que só faz de The Witcher 3 um jogo ainda mais incrível.