O Ministério da Saúde volta atrás e retira indicação de vacinação para adolescentes sem comorbidades. No começo do mês, a pasta havia orientado que os jovens tomassem o imunizante, em uma nota técnica divulgada no dia 2 de setembro.

Algumas cidades como Salvador, Natal e o Distrito Federal já interromperam a aplicação das doses, e outras, como São Paulo, mantiveram o calendário mesmo após a nova instrução. 

De acordo com o ministério, os imunizantes deverão ser aplicados em apenas alguns grupos entre 12 e 17 anos: adolescentes com deficiência permanente, com comorbidades, e adolescentes que estejam privados de liberdade.

A decisão do governo vem em meio a queixa de falta de vacina da farmacêutica Pfizer em alguns municípios do país. O imunizante é o único aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicação em adolescentes. Em julho deste ano, a pasta recomendou que a vacinação nesse grupo começasse assim que todos os adultos tivessem tomado a primeira dose. A decisão foi tomada junto às cidades e estados, respeitando o Plano Nacional de Imunização (PNI). 

Reações adversas em adolescentes são raras

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, 1,5 mil adolescentes apresentaram eventos adversos, o que representa 0.042% do total. “Não é um número grande, mas temos que ficar atentos”, afirmou.

A pasta, inclusive, chegou a dizer que a OMS não recomenda a vacinação em adolescentes, mas não é verdade. A Organização diz que “crianças e adolescentes são menos propensos a ter complicações por causa da doença” e que, portanto, a vacinação desse público é “menos urgente”. Mas ela não contraindica em momento algum.

Outros pontos importantes

Paises como Cuba já estão vacinando crianças de dois anos de idade. E o Chile estávacinando crianças a partir dos seis anos com o imunizante do Instituto Butantan, o Brasil decide pausar a vacinação desse grupo. 

Na quarta-feira (15), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que faz parte das decisões sobre os rumos do PNI, disse que a “vacinação contra a Covid-19 de todos os adolescentes é segura e necessária.”

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Apesar disso, o Conass e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) pediram que a Anvisa se posicionasse sobre o assunto. A Agência ainda não emitiu nenhum comentário.