Cuba começou a vacinar crianças a partir dos dois anos de idade contra a Covid-19 esta semana, tornando-se o primeiro país do mundo a vacinar os pequenos. Pelo menos 12 jovens menores de idade morreram da doença no país este ano, enquanto não houve mortes infantis pela doença naquele país em 2020, segundo o site Miami Herald.

Cuba desenvolveu sua própria vacina do coronavírus, um esquema duplo conhecido como Soberana 2 que tem eficácia de 91,2% após um reforço chamado Soberana Plus, de acordo com estudos no país que ainda não foram revisados ​​por pares. Isso é motivo de orgulho para os cubanos, devido às duras sanções ainda impostas pelos Estados Unidos, um resquício antiquado da Primeira Guerra Fria.

Hoje o país, que tem uma média de cerca de 8 mil novos casos de Covid-19 todos os dias, relatou 3.727 novos casos da doença em crianças apenas na segunda e terça-feira, de acordo com a publicação, incluindo 236 bebês e 16 recém-nascidos.

Vacinar as crianças será vital para deter a pandemia , principalmente porque o público infantil representa uma parcela cada vez maior dos casos. Houve pelo menos 243 mil casos de Covid-19 nesses jovens entre 2 de setembroe 9 de setembro nos Estados Unidos, de acordo com a Academia Americana de Pediatria, representando cerca de 29% de todas as infecções no país. 

É um aumento em comparação com a porcentagem de casos em crianças desde o início da pandemia no ano passado, que foi de 15%. Fica claro que o vírus está passando por crianças não vacinadas em uma velocidade alarmante.

“Depois de diminuir no início do verão, o número de crianças infectadas aumentou drasticamente, com quase 500 mil casos nas últimas 2 semanas”, de acordo com o Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota.

As pessoas mais jovens que podem ser vacinadas na maioria dos países têm entre 12 e 16 anos, com os Estados Unidos autorizando o imunizante da Pfizer para crianças de 12 anos. As vacinas Moderna e Johnson & Johnson só são autorizadas para maiores de 18 anos nos EUA.

O mesmo acontece no Brasil. A Pfizer é a única dose aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para os adolescentes de 12 a 17 anos. 

Os principais fabricantes de vacinas nos EUA ainda não enviaram pedidos para o uso em crianças, mas isso é esperado para o fim do ano. Apesar disso, as crianças americanas não poderão ser vacinadas contra a Covid-19 tão cedo. Os pequenos de até cinco anos estão na fila da próxima geração que pode obter a aprovação para a vacinação pela agência reguladora norte-americana (FDA).

“Se você olhar para os estudos que nós do (National Institutes of Health) estamos fazendo em colaboração com as empresas farmacêuticas, verá dados suficientes para solicitar uma autorização de uso emergencial tanto pela Pfizer, quanto um pouco mais tarde pela Moderna,” Anthony Fauci,  diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, disse à CNN na terçafeira.

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“Acredito que os dois, primeiro com a Pfizer, muito provavelmente poderão ter uma situação em que seremos capazes de vacinar crianças. Se o FDA julgar os dados suficientes, podemos fazer isso até o outono”, disse Fauci.

Os EUA relataram 170.109 novos casos de Covid-19 na quarta-feira e 2.584 novas mortes pela doença.