Os modelos de previsão de impactos futuros do aquecimento global estavam certos, como revela um novo estudo.

Publicada na revista Geophysical Research Letters na última semana, a pesquisa examinou 15 modelos climáticos criados entre 1970 e 2007 para prever o quão quente a Terra iria se tornar atualmente.

Agora que o mundo viveu o período das estimativas dos cientistas, os pesquisadores foram capazes de determinar que seus antecessores fizeram ótimos modelos que puderam prever com precisão o aumento da temperatura da superfície global associada às emissões de gases de efeito estufa.

“A temperatura global da superfície é a primeira coisa que as pessoas pensam com relação à mudança climática ou ao aquecimento global,” disse o autor do estudo e candidato ao doutorado no MIT, Henri Drake, ao Gizmodo.

“E isso nos diz algo sobre outras previsões, porque coisas como chuvas extremas estão correlacionadas com a temperatura, portanto, se você previu bem a temperatura, também previu bem algumas dessas outras coisas”, completou.

Os modelos climáticos baseiam-se em duas informações fundamentais: a quantidade de gases do efeito estuda que os seres humanos poderão emitir numa determinada data futura e a percepção científica da resposta física que a Terra terá em relação a essas emissões.

Não podemos saber ao certo quanto vamos emitir no futuro, porque isso tem pouco a ver com ciência e mais com política, economia e, bem, pessoas.

Ou seja, embora alguns dos estudos publicados durante as décadas de análise possam ter errado em suas previsões específicas de aquecimento, isso deve-se apenas ao fato de terem estimado incorretamente a quantidade de gases de efeito de estufa que iríamos emitir.

Então, o que essa equipe – que inclui cientistas do Instituto Goddard da NASA para Estudos Espaciais e do MIT – fez foi inserir a quantidade real de emissões globais de gases de efeito estufa nos modelos criados anteriormente para ver se eles poderiam prever corretamente o aumento da temperatura global desde que os modelos foram criados. E os modelos funcionavam corretamente.

Drake e sua equipe querem ver como esses modelos se comportam na previsão de diferentes padrões regionais, dentro desses aumentos globais de temperatura. Essa é a próxima tarefa deles.

E se os cientistas do século 20 conseguiram prever com precisão o aquecimento atual, imagine o que os modelos mais novos e mais robustos podem conseguir fazer.

“Presumivelmente, eles farão um trabalho melhor ainda na previsão do aquecimento global”, disse Drake.

Estes modelos atuais vão além do aumento da temperatura. Eles fornecem detalhes sobre o que uma Terra mais quente significará para as nossas comunidades: aumento do nível do mar, aumento das temporadas de neve, ondas de calor, entre outros fenômenos.

E isso é o que realmente importa para as pessoas. Elas precisam ver como serão essas mudanças globais localmente.

E os modelos climáticos ajudam a tornar isso possível. Não dá para saber como será o futuro, mas a ciência pode nos dar uma boa ideia.