Arqueólogos da China descobriram uma fundição que data entre 640 e 550 aC. Além de ferramentas, ornamentos e peças diversas, ela produzia moedas padronizadas — o que a torna a mais antiga casa da moeda já conhecida no registro arqueológico.

A descoberta foi liderada pelo arqueólogo Hao Zhao, da Universidade de Zhengzhou, e publicada na revista científica Antiquity. Ela está lançando uma nova luz sobre a origem do dinheiro — uma inovação que alterou o paradigma e mudou o curso da história humana.

A “disponibilidade de moedas remodelou significativamente as instituições econômicas e sociais, tanto material quanto ideologicamente” e, além de promover o intercâmbio comercial, elas também “forneceram às sociedades humanas novas maneiras de avaliar riqueza, prestígio e poder”, escrevem os arqueólogos. Mas, como eles apontam, a “origem e história inicial” e a “dinâmica social sob a qual foram desenvolvidas… permanecem controversas”.

Os primeiros objetos têm origem na China, Lídia (Ásia Menor Ocidental) e Índia. As casas da moeda antigas desses locais datam aproximadamente do mesmo período, mas nenhuma foi investigada por radiocarbono. A fundição recém-descoberta, no entanto, experimentou essa tecnologia, tornando-a “o local mais antigo do mundo”, de acordo com o estudo.

Vista aérea da antiga fundição. Imagem: Hao Zhao.

O local foi encontrado onde era Guanzhuang, uma cidade e um importante centro administrativo do estado de Zheng — uma potência regional que governou antes da ascensão da China Imperial. O local existiu por volta de 800 AC a 450 AC.

O novo artigo documenta a descoberta de muitos itens associados à fundição, incluindo dezenas de moldes usados ​​e não usados, fragmentos de moedas e detritos de metal, milhares de poços preenchidos com resíduos de produção e mais de 6 mil moldes de argila usados ​​para produzir artefatos, como vasos, armas, acessórios de carruagem, instrumentos musicais, ornamentos, ferramentas e, claro, as chamadas moedas de espadas.

A fundição foi colocada em serviço pela primeira vez por volta de 770 aC, mas não foi usada para fabricar moedas até 640 aC.

“As técnicas de cunhagem empregadas em Guanzhuang são caracterizadas pela produção em lote e um alto grau de padronização e controle de qualidade, indicando que a produção não foi um experimento esporádico em pequena escala, mas sim um processo bem planejado e organizado”, diz o estudo.

É importante ressaltar que duas moedas de espadas foram recuperadas na fundição de Guanzhuang. A análise mostrou que elas eram feitas principalmente de cobre, estanho e chumbo. Elas tinham originalmente 14 centímetros de altura e 6 centímetros de largura.

Acredita-se que seu formato imitava as pás de metal usadas na agricultura e na jardinagem. Mas, com sua lâmina fina e tamanho pequeno, não sugerem nenhum outro propósito prático ou utilitário. Com o tempo, elas se tornaram mais sofisticadas, com inscrições aplicadas para significar valor. As moedas de espada foram usadas por centenas de anos até que o primeiro imperador Qin as aboliu em 221 aC.

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A localização da fundição é notável, pois pode nos dizer algo sobre a origem do dinheiro. Alguns arqueólogos e antropólogos argumentam que os primeiros comerciantes tiveram a ideia de usar moeda de metal. Mas a localização, perto de portões que levam às seções administrativas do centro da cidade, sugere que autoridades estaduais estavam envolvidas.

A “descoberta da Casa da Moeda de Guanzhuang nos lembra de considerar o papel das autoridades políticas no desenvolvimento inicial da produção de moedas”, escrevem os cientistas.

Dito isso, a procedência da fundição de Guanzhuang não foi determinada, mas, como apontam os pesquisadores, parece que as “atividades de cunhagem foram pelo menos reconhecidas pelo governo local”. A descoberta também nos lembra que moeda é tecnologia e, como tal, está em constante evolução.