O primeiro teste de voo sem tripulação da espaçonave Crew Dragon, da SpaceX, foi marcado para janeiro, segundo anúncio da NASA nesta quarta-feira (21). O teste é um marco importante para os Estados Unidos, que não consegue enviar astronautas para o espaço de forma independente desde 2011, quando o programa Space Shuttle foi aposentado.

Astronauta da NASA conta detalhes angustiantes da falha de lançamento da Soyuz

Marque a data na sua agenda, pessoal — o teste de voo sem tripulação da espaçonave Crew Dragon, chamado de Demo-1, foi marcado para 7 de janeiro de 2019, às 13h57, horário de Brasília. Um foguete Falcon 9 será lançado do Centro Espacial Kennedy, da NASA, na Flórida, e carregará a cápsula até a Estação Espacial Internacional. A agência espacial irá monitorar cuidadosamente o desempenho do foguete, da Crew Dragon, de operações de sistema terrestre e do procedimento de encaixe.

“Após os voos de teste, a NASA irá revisar os dados de desempenho e resolver problemas conforme o necessário para certificar os sistemas para missões operacionais”, escreveu a agência em um comunicado. Entretanto, “como com qualquer desenvolvimento de voo espacial humano, aprender de cada teste e ajustar como for necessário para reduzir riscos à tripulação podem se sobrepor às datas planejadas”, acrescentou a NASA.

Se tudo correr bem e a NASA declarar a cápsula Crew Dragon apta para ocupantes humanos, um segundo teste, chamado Demo-2, deverá acontecer em junho. O Demo-2 iria, mais uma vez, utilizar um foguete Falcon 9, mas, dessa vez, dois astronautas da NASA — Robert Behnkon e Douglas Hurley — seriam enviados à Estação Espacial Internacional, segundo informa o Spaceflight Now.

Entretanto, antes do Demo-2, a NASA pretende conduzir um teste de aborto em voo, durante o qual o sistema de aborto da Crew Dragon, sem tripulação, será ativado, descartando a cápsula do topo de um Falcon 9 pouco depois do lançamento, segundo o Space News.

Mas estamos colocando a carroça na frente dos bois; o teste de aborto e o Demo-2 só acontecerão se o Demo-1 for considerado um sucesso pela NASA.

Sem dúvidas, esse é um teste muito importante para os programas espaciais norte-americanos. Desde 2011, os Estados Unidos têm tido que contar com parceiros para levar seus astronautas ao espaço, mais especificamente, os russos e seu programa Soyuz.

A precariedade desse acordo foi recentemente colocada em evidência depois de um lançamento abortado de um Soyuz em 11 de outubro de 2018 — um incidente que, basicamente, tornou o espaço inacessível aos astronautas da NASA até que uma revisão do ocorrido seja feita pelos russos. Considerando que o contrato da NASA com o programa Soyuz acaba neste mês, existem temores de que os EUA não terão acesso à Estação Espacial Internacional por cerca de um ano.

Sim, seria ruim haver problemas ou mais atrasos à Crew Dragon, mas isso não seria nada catastrófico. A Boeing também está trabalhando em uma cápsula tripulada, a CST-100 Starliner, que está marcada para um teste não pilotado em março de 2019, segundo a NASA, e para um teste pilotado em agosto de 2019. Para esses testes, a Boeing usará um foguete Atlas 5, da United Launch Alliance.

É importante apontar que algumas dessas datas de teste poderiam ser impactadas por uma recém-anunciada revisão de cultura de segurança no local de trabalho na SpaceX e na Boeing.

Nesta semana, a NASA disse que vai conduzir um “estudo de avaliação cultural” das duas empresas, “incluindo a adesão a um ambiente livre de drogas”, antes que testes de voos tripulados possam acontecer. A NASA disse que “espera totalmente que nossos parceiros comerciais atendam a todas as exigências de segurança no local de trabalho na execução de nossas missões”. Embora a NASA não admita abertamente, o estudo de avaliação cultural provavelmente é uma reação à infame aparição do CEO da SpaceX, Elon Musk, no podcast de Joe Rogan, em setembro, quando ele (aparentemente) fumou maconha e bebeu uísque durante o programa.

Parabéns, Elon.

[NASA, Spaceflight Now, Space News, Reuters via CBC]