Parece que a crise chega para todos, até mesmo para um dos maiores serviços de streaming do mundo. Em relatório divulgado para os acionistas nesta terça-feira (19), a Netflix revelou que perdeu 200 mil assinantes no primeiro trimestre de 2022, sendo o primeiro número negativo desde outubro de 2011. 

De acordo com os dados divulgados, de 221.840 milhões de assinantes registrados no final de 2021, o serviço desceu para 221.640 milhões neste primeiro trimestre de 2022. Mesmo com a queda, a Netflix ainda é o líder mundial no mercado de streaming presente em 190 países.

A base global de assinantes se manteve na casa dos 221,6 milhões, mas a companhia projeta que perderá mais 2 milhões de clientes no segundo trimestre deste ano. As informações são da Reuters, que também esclareceu que as ações da empresa caíram 26% após a divulgação dos dados.

Vale destacar que a expectativa inicial da plataforma era ganhar 2,5 milhões de membros no começo de 2022. Segunda a Netflix, as razões da queda estariam ligadas a diversos fatores. A empresa classificou a guerra entre Rússia e Ucrânia, a força do dólar e o aumento de preço da assinatura como os motivos para o resultado negativo.

Além disso, em carta aos acionistas, a empresa disse que a pandemia de Covid atrapalhou essas previsões porque houve um aumento significante da receita em 2020, fazendo com que a maior parte do crescimento lento visto em 2021 fosse entendida apenas como um efeito rebote daquela aceleração.

O aumento do número de uso compartilhado de contas do serviço e o crescimento da concorrência, também estão entre os motivos da queda dos números. Enquanto ficou isolada no mercado por vários anos, a “locadora vermelha” agora precisa lidar com outros serviços rivais, como HBO Max, Disney+,Amazon Prime Video, entre outros.

“A competição com a TV tradicional, assim como com o YouTube, Amazon e Hulu, tem sido a mais robusta dos últimos 15 anos. Nos três últimos anos, as companhias de entretenimento perceberam que o streaming é o futuro e vários serviços foram lançados”, diz o texto direcionado aos acionistas. 

Porém, a Netflix ainda reportou um lucro de US$ 1,6 bilhão em vendas e receita de US$ 7,8 bilhões neste período, o que representa um aumento de 10% na arrecadação em comparação com os três primeiros meses de 2021. No entanto, o número ainda está abaixo da expectativa de US$ 7,93 bilhões de Wall Street.

Senhas compartilhadas

A Netflix também apontou que têm perdido oportunidades de elevar o número de pagantes por conta de senhas compartilhadas. A empresa estima que 100 milhões de usuários desfrutam de senhas compartilhadas em todo o mundo.

Em março deste ano, a Netflix começou a testar recursos no Chile, Costa Rica e Peru que permitia aos assinantes adicionar dois “submembros”, com seus próprios logins e perfis, por apenas US$ 3. Por mais que o valor seja baixo, foi uma forma da Netflix cobrar algo de pessoas que normalmente emprestam as contas de seus amigos.

Alternativa para recuperar assinantes 

E para driblar a crise e recuperar os assinantes perdidos, a Netflix está planejando a criação de um novo plano de assinatura. A modalidade será mais barata que as ofertas atuais, porém com a inclusão de anúncios. A informação é do The Hollywood Reporter.

Em uma teleconferência de resultados da empresa, o co-CEO Reed Hastings revelou que a plataforma de streaming está trabalhando na oferta e que finaliza os detalhes “no próximo ano ou dois”, com a inclusão de propagandas no meio das séries e filmes.

Segundo o executivo, os anúncios são complexos e a empresa não quer perder a praticidade e simplicidade das assinaturas. Hastings explicou que a ideia é dar aos consumidores que não se importam em assistir anúncios a opção de pagar menos, o que “faz muito sentido”.

Por isso, Hastings esclareceu que as associações suportadas por anúncios serão adicionadas como opção, assim os membros que preferirem pagar a assinatura completa não precisam ser submetidos a anúncios.

“Vocês sabem que eu sempre fui contra a complexidade da publicidade, e a favor da simplicidade do modelo  de assinaturas. Mas, mesmo que eu tenha essa preferência, sou ainda mais a favor do poder de escolha do consumidor. Permitir que eles tenham acesso ao conteúdo que querem de forma mais barata, se não se importarem com as propagandas, faz sentido para mim”, comentou Hastings.

Como o próprio CEO apontou, o modelo de incluir um plano mais barato através da veiculação de propagandas já é utilizado por concorrentes como Hulu e HBO Max no mercado norte-americano. O Disney+ também está desenvolvendo uma opção semelhante.