No ano passado, a Netflix começou a veicular uma propaganda que dizia: “Hoje é dia de roubar o Wi-Fi do vizinho para maratonar”. Apesar de a propaganda ser inofensiva e fazer uma brincadeira com uma ação comum dos brasileiros, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) recomendou a remoção da peça publicitária.

Tudo começou com a denúncia de uma pessoa que viu a propaganda em um desses monitores presentes em elevadores e denunciou ao Conselho. Em primeira instância, o colegiado do órgão votou majoritariamente por recomendar a remoção da propaganda.

De acordo com o órgão, “é compreensível que existe sim uma brincadeira baseada numa realidade brasileira, mas isso reforça o estereótipo de o brasileiro tentar levar vantagem em tudo, inclusive, em roubar o [sinal de internet] Wi-Fi do vizinho”. O problema, ainda segundo a entidade, é a sugestão de brincadeira é extrapolada e pode levar ao seguinte pensamento: “se é razoável roubar o Wi-Fi, outras coisas também podem ser entendidas como compreensíveis.”

O documento da decisão, inclusive, cita o estereótipo de Lei de Gérson — se não é da sua época, Gérson era um jogador de futebol que fez uma propaganda de cigarro em que dizia: “o importante é levar vantagem em tudo, certo?”.

A Netflix removeu, mas entrou com um recurso no Conar, que só foi julgado na última quinta-feira (14). Mesmo apresentando seus argumentos, a entidade de autorregulamentação concordou com a primeira votação, mantendo a decisão anterior.

A decisão do Conar foi o que eles chamam de uma “medida profilática”, no caso, para evitar que outros anunciantes procedam dessa forma.

Apesar de o Conar não ter poder para aplicar penas pecuniárias (como multas), geralmente o mercado costuma acatar o que é recomendado pelo órgão. Segundo o Conselho, que foi fundado em 1977, não há registro de desrespeito às recomendações no mercado publicitário.

Entramos em contato com a Netflix para comentar o assunto, e a plataforma disse que não iria se pronunciar.

[Meio & Mensagem 1 e 2]