A Neuralink, startup cheia de segredos de Elon Musk dedicada ao desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina que poderia possibilitar que pessoas se comuniquem com computadores usando apenas seus pensamentos, está financiando pesquisas em primatas em uma universidade da Califórnia, de acordo com registros públicos obtidos pelo Gizmodo.

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Essa concessão de pesquisa marca a primeira incursão bem-sucedida da Neuralink no campo de testes com animais, um passo necessário, mas frequentemente escondido, no processo de desenvolver interfaces cérebro-maquina. A Neuralink anteriormente explorou a ideia de construir um laboratório em San Francisco que faria testes em roedores, mas, por fim, abandonou o projeto, como o Gizmodo informou em março.

Um acordo entre a Neuralink e o conselho de regentes da Universidade da Califórnia, obtido em resposta a um pedido de registros públicos, descreve os termos do acordo e o escopo da pesquisa a ser conduzida. A Neuralink vai pagar US$ 796.006 por pesquisas conduzidas no Centro Nacional de Primatas da Universidade da Califórnia em Davis, um dos sete centros americanos dedicados ao estudo da saúde e de doenças em primatas.

“As pesquisas realizadas nas Instalações e em outros Centros Nacionais de Pesquisa Primata fornecem informações necessárias antes de avançar para testes clínicos em humanos, levando a novas drogas, terapias e procedimentos cirúrgicos que beneficiam a saúde e a qualidade de vida humanas”, afirma o contrato.

A instalação de pesquisa na UC Davis, localizada a cerca de 120 km de San Francisco, é lar de maioria dos animais objetos de pesquisa em primatas no estado da Califórnia. Em 2016, ano mais recente em que o Departamento de Agricultura liberou estatísticas, havia 3.596 primatas disponíveis para pesquisa no estado, e a UC Davis abrigou 2.530 deles. Maioria dos primatas na UC Davis é de macacos-rhesus, embora a universidade também seja o lar de cerca 100 macacos-titis.

A Neuralink fechou contrato com a Universidade da Califórnia em Davis em setembro 2017, cerca de três meses depois de dizer a autoridades municipais em San Francisco que havia abandonado seus planos de construir um laboratório de testes animais em sua sede na cidade. Um arquiteto trabalhando para a Neuralink disse a autoridades de San Francisco que a empresa planejava um dia construir sua estrutura nos arredores da cidade.

Não está claro o quanto o contrato irá durar — a data final da pesquisa está redigida. Entretanto, a Universidade da Califórnia em Davis normalmente reporta suas concessões de pesquisa em ciclos de ano fiscal, e, considerando que a Neuralink começou a financiar pesquisas no segundo semestre, o contrato provavelmente precisará ser renovado depois do primeiro semestre.

A Universidade da Califórnia em Davis redigiu intensamente seu acordo com a Neuralink antes de liberar o documento ao Gizmodo, citando isenções à Lei de Registros Públicos da Califórnia, projetada para proteger pesquisas acadêmicas não publicadas. “Os tribunais reconheceram que a revelação prematura de pesquisas propostas ou em andamento podia resulta em um efeito inibidor nas pesquisas acadêmicas, apontando a possibilidade de apropriação indevida de resultados de pesquisa, o medo de divulgação adicional no futuro e de dano potencialmente grava à integridade da pesquisa e das carreiras dos investigadores”, escreveu um porta-voz da universidade. O porta-voz também argumentou que as redações ajudariam a preservar os segredos comerciais da Neuralink.

Sob o acordo, os empregados da Neuralink podem trabalhar lado a lado com pesquisadores acadêmicos da instalação da UC Davis. Os pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis podem publicar suas descobertas baseadas em pesquisas financiadas pela Neuralink, contanto que permitam à companhia revisar seu trabalho antes da publicação, para checar informações confidenciais. Um porta-voz da Neuralink se recusou a comentar o contrato.