A Nintendo anunciou ontem (7) que fechou um ano com lucros pela primeira vez desde 2011. Mas, mais do que comemorar o resultado positivo após anos difíceis, o relatório fiscal anual da Big N nos dá uma ideia do que podemos esperar da entrada da Nintendo no mundo dos smartphones.

Em março, a Nintendo anunciou uma parceria com a DeNA para a produção de jogos para smartphones. A empresa resistiu a essa ideia por anos, mas acabou cedendo — mesmo que não da forma como muita gente queria. Nada de relançar clássicos de NES e SNES para Android e iOS em busca de alguns trocados — a Nintendo quer que seus jogos sejam diferentes dos outros encontrados nessas plataformas.

Alguns dias após anunciar a parceria com a DeNA, Satoru Iwata, CEO da Nintendo, comentou um pouco mais sobre os planos da Nintendo nos smartphones. Os principais nomes da casa – como Shigeru Miyamoto, criador de Mario e Zelda — não devem se envolver em um primeiro momento, e talvez o modelo free-to-play não deva ser o ideal para o que a empresa pretende fazer. Há uma grande preocupação em não sujar a imagem das marcas da Nintendo com jogos claramente feitos na pressa e que têm como objetivo arrancar a maior quantidade possível de dinheiro do jogador com diversas microtransações dentro do jogo.

Satoru Iwata, CEO da Nintendo
Satoru Iwata, CEO da Nintendo

No relatório financeiro divulgado ontem, Iwata deu mais algumas dicas do que poderemos esperar desses futuros jogos. Não serão muitos. A Nintendo pretende lançar 5 games mobile até março de 2017, e qualquer uma das franquias da empresa pode ser usada nesses títulos. Não duvido que Mario e Pokémon apareçam nos smartphones e tablets no futuro, mas ficaria muito frustrado se, depois de tantos anos, F-Zero voltasse como um jogo mobile. De qualquer forma, Iwata diz que a Nintendo será cuidadosa na hora de escolher quais franquias vão para smartphones:

“Como o mercado de jogos em dispositivos inteligentes já é muito competitivo, mesmo com propriedades intelectuais muito populares, as chances de sucesso são baixas se os consumidores não conseguirem apreciar a qualidade do jogo”, disse o chefão da Nintendo. Ele também ressaltou que não há planos para simplesmente relançar jogos antigos nesses dispositivos- – como eles não foram feitos com essas plataformas em mente, Iwata acredita que o resultado final não seria satisfatório para o jogador.

Se Shigeru Miyamoto não se envolverá em um primeiro momento, ao menos a Nintendo parece ter colocado outro nome de peso na produção desses jogos. Segundo o Sankei (via Siliconera), um produtor de Mario Kart 8 (sem nome divulgado, mas provavelmente se trata de Hideki Konno, envolvido na série desde seus primeiros títulos) fará parte da equipe mobile da empresa.

O primeiro fruto da parceria entre Nintendo e DeNA deve sair ainda em 2015, mas nenhum detalhe de qual jogo, qual gênero e qual modelo de negócios seguirá foi divulgado. Provavelmente precisaremos esperar um pouco para conhecer esse título — não apostaria em um anúncio dele durante a E3 2015, que acontece agora em junho, já que provavelmente a Nintendo preferirá promover jogos das suas próprias plataformas — 3DS e Wii U.

A ideia é que esses cinco jogos sejam grandes sucessos, e a Nintendo pretende manter os títulos em “operação completa” por muito tempo após seus lançamentos. O que exatamente isso significa? Não sabemos, mas talvez seja um compromisso de continuar dando suporte e adicionando conteúdo novo a jogos meses após seu lançamento. Ou algo completamente diferente disso — da Nintendo podemos esperar qualquer coisa. Iwata também acredita bastante que a aventura mobile será positiva para a Nintendo, e ele prevê que a receita com jogos mobile se torne fundamental no futuro da empresa — e também que esses jogos incentivem pessoas a comprarem consoles da Nintendo.

É interessante ver que, ao menos no discurso, a Nintendo está realmente preocupada em levar qualidade aos jogadores de dispositivos móveis. Tem muito jogo bom saindo para smartphones e tablets, mas também tem muita porcaria. Quando você entra na área de jogos da App Store ou da Google Play Store, o que mas encontra são jogos free-to-play cheios de microtransações, clones, clones e mais clones. Em suas plataformas, a Nintendo sempre teve uma preocupação enorme em entregar a melhor experiência possível para seus jogadores. Esperamos que, nos smartphones e tablets, ela continue assim. [Siliconera, Polygon]