Veja só, uma certa trapaça escolar acaba de ganhar ares legítimos: usar um corretor ortográfico de computador nas provas do colégio. A notícia mais facepalm da semana é cortesia do estado americano de Oregon, que agora apóia que os estudantes do ensino médio e fundamental usem a ferramenta.

Se isso soa como uma das coisas mais absurdas do mundo pra você… bem, você está certo! Todo mundo usa o corretor ortográfico. Ele é ótimo. Funciona bem. Em certa idade, não é uma ferramenta instrutiva, e sim um meio de não fazer você parecer um idiota. Ele corrige erros. Mas para um estudante do ensino fundamental? Para começar, ele provavelmente não sabe ao certo como escrever várias palavras. Assim, receber a varinha mágica da escrita durante uma prova de sua língua nativa para provar seu aprendizado não é uma proteção – é uma muleta. E isso claramente vai deturpar a habilidade de escrita das crianças.

Mas… O estado de Oregon discorda: “Nós não estamos deixando que a habilidade de teclar de um estudante interfira na sua capacidade de julgar sua habilidade de escrita”, explicou a superintendente do estado Susan Castillo. Agora me perdoe enquanto eu carrego meu corretor ortográfico, mas eu não entendi muito bem o que ela quis dizer. A “habilidade de teclar” não significa o uso do teclado para escrever de forma correta uma palavra? Isso não é… ortografia? O uso de um teclado – que permite que um ser humano escreva muito mais rápido do que com uma caneta e um lápis – é realmente o que impede uma criança de aprender todas as palavras de forma correta? E essa linha de defesa também rui quando você descobre que a correção ortográfica também estará disponível àqueles que fizerem provas no papel também, segundo o OregonLive.

O melhor jeito de aprender a falar uma palavra de forma correta é dizê-la errada e ser corrigido. Ao dar às crianças uma trapaça digital para cada palavra que elas escrevem, elas não aprenderão nada. As escolas defendem o sistema dizendo que as palavras escritas erradas não serão corrigidas automaticamente. Ao invés disso, a criança terá algumas opções de correção, com a palavra correta no meio delas. O que, novamente, não ensina nada – a charada será sempre um brinde besta ou um teste fútil dentro de um teste. Eis uma dica, Oregon: se elas soubessem escrever do jeito certo, elas não estariam errando a palavra. Faz sentido?

A tecnologia é um ótimo caminho para aprender muitas coisas. Eu credito um volume absurdo das coisas que eu sei (umas com mais valor do que outras – seja de páginas obscuras da Wikipédia ou um personagem de Star Wars!) graças ao computador. Mas a linha entre assistência e obstáculo pode ser bem sutil. E com a garotada americana enviando e recebendo umas 3.339 mensagens de texto por mês (como eu sou hipócrita), a ortografia vale mais hoje do que nunca – a não ser que alguém queira que os próximos grandes livros americanos sejam escritos numa série de tuítes bêbados durante a madrugada. [OregonLive]

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