Há quem diga que a queima de combustíveis fósseis, a degradação do meio ambiente e outras intervenções humanas têm como foco o crescimento econômico.

Um novo estudo publicado na revista Nature mostra que o resultado destas ações pode ser o inverso do planejado.

É comum que, ao abordar mudanças climáticas, os cientistas apontem principalmente os impactos para o meio ambiente e para a própria humanidade. Autoridades ao redor do globo fingem não ouvir, seguindo com atitudes que colaboram para o aquecimento global.

Isso pode mudar com esta pesquisa recente, que indica uma relação entre o aumento dos níveis de chuva e a queda da economia.

Vamos entender.

Cientistas do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático, na Alemanha, analisaram dados dos últimos 40 anos de 1.554 regiões. O objetivo não era focar na quantidade de chuva que cai nestes locais anualmente, mas sim observar níveis pluviométricos diários.

Então, puderam mostrar que o crescimento econômico diminui quando o número de dias chuvosos ou de temporais aumenta. De acordo com os cientistas, países ricos e industrializados, como EUA e Japão, são os mais afetados.

Há uma explicação: eventos extremos de chuva levam a inundações. As enchentes, por sua vez, destroem infraestrutura e interrompem a produção e a cadeia de suprimentos.

Apesar dos pesquisadores não terem citado valores no estudo, sabe-se que, só em 2021, os EUA gastaram cerca de U$ 101 bilhões (R$ 557 bilhões) para lidar com as consequências da chuva extrema no país.

Os cientistas consideraram eventos políticos locais e também tendências econômicas globais.

Mesmo com estes fatores, a chuva continuou sendo culpada pelos prejuízos na economia. De acordo com o estudo, basta a adição de algumas polegadas de chuvas extremas ao longo do ano para reduzir meio ponto percentual do crescimento anual de um país.

Pense nisso na próxima vez que duvidar dos impactos das mudanças climáticas.