Enquanto a vacinação ainda caminha lentamente em muitos países, algumas farmacêuticas já estão trabalhando em outras alternativas para combater a pandemia de Covid-19. É o caso da Vir Biotechnology e da GlaxoSmithKline (GSK) que anunciaram um medicamento com 85% de eficácia na redução de hospitalizações e mortes pela doença.

As empresas planejam solicitar autorização para o uso do VIR-7831, como foi batizado, à Food and Drug Administration (FDA),uma espécie de equivalente à Anvisa dos EUA, além de órgãos reguladores de outros países. Caso seja aprovado pela FDA, o medicamento não seria o primeiro do tipo, mas o terceiro a ser disponibilizado no país. As farmacêuticas Eli Lilly e Regeneron Pharmaceuticals conseguiram aprovações para uso emergencial em novembro do ano passado.

Diferentemente da vacina, esses remédios não previnem a infecção, mas tratam a doença no início para evitar que ela evolua para casos graves. Ele é feito a partir de anticorpos de pessoas que já sobreviveram ao SARS-CoV-2. Esses anticorpos são geneticamente modificados e injetados em pacientes que apresentam dificuldades em gerar uma resposta imunológica ao vírus.

Além de estimular a produção de células de defesa ao se ligarem à proteína spike do coronavírus, os anticorpos evitariam que outras células saudáveis fossem infectadas. Tratamentos como esse, que utilizam os chamados “anticorpos monoclonais”, já são utilizados para combater enfermidades como o câncer, lúpus, esclerose múltipla e outras doenças autoimunes.

Por enquanto, o VIR-7831 está sendo testado em pacientes com sintomas leves ou moderados de Covid-19 e que apresentam risco de desenvolver um quadro grave da doença.

As farmacêuticas Vir e GSK afirmam que os estudos foram interrompidos antecipadamente por recomendação de um comitê de monitoramento independente que teria concluído que as análises de 583 pacientes já eram suficientes para comprovar a alta eficácia do medicamento. Uma pesquisa separada também indicou que o VIR-7831 funcionaria até mesmo contra as variantes identificadas no Reino Unido, na África do Sul e no Brasil.

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Apesar dos resultados promissores, há algumas ressalvas. As empresas não divulgaram os resultados detalhados do estudo, incluindo a porcentagem de pacientes que foram hospitalizados ou morreram. Elas garantem que continuarão a monitorar os voluntários por 24 semanas e que divulgarão mais dados após a conclusão do estudo.

Outra pesquisa que estava sendo conduzida com pacientes hospitalizados foi interrompido após os dados levantarem preocupações sobre os potenciais benefícios do tratamento com VIR-7831.

[CNN, Bloomberg, Valor Econômico]