Eu não escondo que não gosto do notch e parece que muitas fabricantes concordam comigo. Por enquanto, existem três soluções para que ele não apareça em um celular. A primeira é a mais inteligente, mas que aparentemente será abandonada: uma borda fina na parte superior, tal qual o Galaxy S9. A segunda tem sido utilizada por algumas fabricantes chineses como a Oppo: um mecanismo de deslizar para revelar a câmera frontal. A terceira é bem maluca e legal de se ver: uma tela na traseira.

Criado pela empresa chinesa de smartphones Nubia (que é, em parte, de propriedade da ZTE), o Nubia X tem duas telas, só para se livrar do chifrinho. Você tem a tela convencional de LCD com 6,1 polegadas e uma tela OLED secundária de 5,1 polegadas e resolução de 1520 x 720 na traseira. O objetivo desse display secundário é um só: te ajudar a enquadrar a sua selfie.

Existem duas vantagens nesse design: não tem notch e as selfies ficam com a mesma qualidade de fotos de paisagens e afins. Por outro lado, parece um pouco exagerado.

A tela secundária pode servir como uma interface normal, para você acessar seus apps e mexer no celular – mas convenhamos que fazer isso é esquisito. Dá para configurar uma arte para deixá-la acesa sempre ou até colocar um relógio ali.

Mexi por alguns minutos no aparelho e a transição entre uma tela e outra ocorreu sem problemas, sempre muito rápido. Depois de uma experiência frustrada com FlexPai, o smartphone flexível, eu estava esperando algum delay e engasgos – mas trata-se de uma solução totalmente diferente, vale notar.

A sensibilidade da tela é idêntica a um touchscreen comum. A única diferença da tela traseira é que ela é ligeiramente mais “apagada”, às vezes dá a sensação de que ela é transparente. Uma coisa que me chamou a atenção é que as imagens desse display ficam bem na superfície da traseira do celular, dando uma sensação de projeção.

Pode parecer que essa solução faça o celular ficar muito grosso. O Nubia X tem 8,4mm de espessura. Para efeitos de comparação, o iPhone XR tem 8,3mm e o Galaxy S9 tem 8,5mm.

Por dentro, há um chip Snapdragon 845, da Qualcomm, 6 ou 8 GB de RAM, até 128 GB de armazenamento e uma bateria de 3.800 mAh. O leitor de impressões digitais fica na própria tela.

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Esse poderia ser o futuro dos smartphones, mas acho muito difícil. Colocar duas telas em um aparelho não parece a melhor estratégia em termos de custos de fabricação – ainda que os módulos de câmera frontal sejam bastante caros também.

O modelo é vendido por aproximadamente US$ 550 (cerca de R$ 2.000 na cotação atual) na China.

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O jornalista viajou para Las Vegas a convite da CTA, empresa que organiza a CES.