Explosões gasosas de um foguete sub-orbital podem ser o meio mais limpo para se livrar de detritos espaciais perigosos. É o que sugere uma nova aplicação de patente americana criada em 27 de setembro pela gigante aeroespacial Boeing.

O lixo espacial – restos de foguetes abandonados, satélites quebrados ou em uso e detritos gerados pelas intermináveis colisões entre eles – está se tornando a praga da era espacial. Mesmo pequenos pedaços podem cortar o metal em velocidade hipersônica, colocando os astronautas e naves espaciais em risco.

Após mais de 50 anos de voos ao espaço, tanto lixo foi acumulado que alguns especialistas preveem que o espaço próximo da Terra se tornará difícil de navegar em menos de 50 anos, a menos que as agências espaciais comecem a limpar a bagunça.

A maioria do lixo espacial pode queimar de maneira segura durante a reentrada pela atmosfera da Terra, mas isso significa que algo tem que dar uma cutucada neles para tirá-los de órbita. A questão é, como levar uma equipe de limpeza orbital sem adicionar mais lixo?

Até agora, ideias para varrer o espaço próximo da Terra incluem adicionar velas em satélites abandonados para reduzir a velocidade deles, enviar robôs zeladores com tentáculos para arrastar a sujeira para fora da órbita ou enviar uma enorme rede de pesca puxada por um robô para remover os detritos.

Um problema com as redes, velas e o zelador robotizados é que eles precisariam ser levados em foguetes orbitais que poderiam deixar lixo espacial para trás.

O plano da Boeing sugere enviar um foguete carregando um tanque de um gás criogênico inerte, como o xênon ou crípton. No topo de uma trajetória desenhada para interceptar um enxame de lixo espacial, o foguete iria vaporizar sua carga e “acender” até 10 toneladas de gás através de um bocal especial.

Essa nuvem iria dissipar-se em segundos, mas a densidade inicial criaria força suficiente para reduzir a velocidade dos detritos, diz Michael Dunn, que assina a patente da Boeing.

Dunn calculou que para um objeto se movimentando a 7,8km/s, a nuvem de gás poderia reduzir a velocidade orbital em 0,2km/s – suficiente para condená-la à incandescência ardente da atmosfera superior.

Esse foguete é melhor para ser usado abaixo de 100 quilômetros da Linha de Kármán, que por convenção define a borda do espaço. Nessa altura, o foguete poderia atirar sua nuvem destruidora de detritos muito além – em altitudes de até 600km – e dai simplesmente cair de volta para a Terra.

Créditos da Imagem: ESA

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