"Mais pessoas estão engajadas com música do que nunca antes visto", diz Tom Silverman, presidente e diretor-executivo da Tommy Boy Records. "É um gráfico de taco de hóquei subindo; é uma oportunidade incrível que até então nos deixou perdidos."

Silverman estava palestrando esta manhã no New Music Seminar em Nova York, onde ele e Eric Garland, diretor-executivo da empresa de mensuração de mídia Big Champagne (que também lançou o Ultimate Chart hoje), nos deu uma palestra sobre o Estado da Indústria da Música. Mesmo se você não estiver na indústria e for apenas um ávido apreciador de boa música, os números que Silverman e Garland mostraram com certeza vão surpreender você. Estas são algumas das principais descobertas deles.

Uma mudança de álbuns para singles

Dos cerca de 100.000 álbuns lançados ano passado nos EUA, 17.000 deles venderam apenas uma cópia; mais de 81.000 álbuns venderam menos de 100 cópias. Na verdade, apenas 1.300 venderam mais de 10.000 cópias, um número impressionante dado que isso já combina as vendas físicas e digitais. E só as vendas físicas? Apenas 2% dos novos álbuns na base Soundscan venderam mais de 5.000 cópias – é uma queda drástica em relação à era áurea da indústria da música.

"A indústria da música historicamente tem se baseado em álbuns. Este álbum-centrismo é como dizer que o Sol gira em torno da Terra. Não ouvimos álbuns agora; nós ouvimos coleções de músicas."

Claro, o motivo pelo crescimento significativo dos singles e vendas menores de álbuns é devido, em parte, à loja iTunes vender cada música a 99 centavos de dólar. "Historicamente, o preço de um álbum era cinco vezes maior que o de um single", disse Silverman, que acredita que colocar o preço de uma música a um décimo do preço de um álbum foi um erro, e mesmo US$1,29 ainda é pouco. "Deveria ter sido US$1,99, e então nós veríamos vendas maiores de álbuns, porque haveria um desconto maior ao comprar um álbum." Mas tanto Silverman e Garland acreditam que isto está mudando, citando o fato de que cerca de 14% das vendas digitais da Universal Music são de álbuns completos, o que sugere que o preço de US$9,99 está se tornando aceitável para os consumidores.

Facebook, MySpace e Twitter: monitore seu número FFF

De acordo com Garland, as pessoas da indústria da música estão obcecadas com o "número FFF" – sigla em inglês para amigos, fãs e seguidores de um artista. "É uma corrida, mas para onde?", ele se pergunta. Garland mostrou através de uma série de gráficos como o Twitter e especialmente o Facebook estão crescendo em popularidade para artistas como Lady Gaga, enquanto os números antes populares do MySpace arrefeceram.

No entanto, Garland destaca que o Facebook recentemente forçou seus usuários a converter  seus favoritos do perfil em dados de "fã", o que inflou arbitrariamente os números da rede social. Por exemplo, Garland conta a história de quando a apresentação da Susan Boyle cresceu em popularidade, quando um amigo dele adicionou a estrela do YouTube ao seu perfil do Facebook. Quando o Facebook importou os dados, no entanto, ele se tornou instantaneamente um "fã" da Susan Boyle. "[Ele] não tinha interesse nisso – [ele] gostou dela por tipo 30 segundos, uma vez!", conta Garland. "Isso não indica de fato uma atividade de consumidores – é automatizado", completa Silverman.

A história de Garland serve como indicador de como é difícil saber a influência de um artista baseado em seu número FFF. Afinal, mesmo se a Lady Gaga perder amigos no MySpace, isso é menos uma indicação da popularidade dela, e mais um sinal da queda do MySpace.

Google e YouTube mais importantes que iTunes?

Interessante ver que Garland não considera a Apple como o nome mais importante na música, apesar dos iPods, iPhones e do iTunes indicarem o contrário. "O YouTube está cada vez mais se tornando o matador da categoria", diz Garland. "Quando as pessoas me perguntam qual o maior nome na música na minha opinião, eles querem que eu diga Apple. Eu geralmente respondo: YouTube."

Garland disse à plateia que se você for ver onde as pessoas estão escuntando música – não só procurando vídeos – os consumidores estão indo cada vez mais para o YouTube, que ele considera o "maior catálogo de música sob demanda na internet". Se pelo menos o Google conseguisse tornar o serviço rentável, hein?

Rádio na internet: Pandora

Garland e Silverman disseram que o Pandora é hoje o serviço de rádio mais popular da internet, com participação de mercado de 52%, próximo de 60 milhões de usuários registrados, e mais de um bilhão de estações de rádio. (O Pandora é bloqueado fora dos EUA. No Brasil, as opções disponíveis são o Grooveshark e o Jango.)

E como sinal de como a web teve impacto na música, Silverman disse à plateia que o Pandora representa agora 1,7% de toda a audiência de rádio nos EUA – um número que dá o que pensar. Obviamente a indústria tradicional de música não vai embora tão cedo. Mas será que eles estão prontos para uma mudança?

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