O platô deserto de Chajnantor, no Chile, fica 5 quilômetros acima do nível do mar e tem um dos ares mais secos do mundo. Isso o transforma no lugar perfeito para o maior, mais sensível e mais complexo telescópio terrestre.

O Atacama Large Millimeter Array (ALMA) estuda astronomia submilimétrica — a energia de ondas milimétricas e submilimétricas onde o espectro infravermelho para e as ondas de rádio começam. Esse tipo de energia é emitida por densas nuvens de gás molecular e poeira interestelar do espaço. Essas nuvens são casa de criação de novas estrelas, mas absorvem boa parte da luz visível emitida por esses astros mirins, deixando a temperatura próxima do zero absoluto (-273C). Apesar de a maioria da luz visível ser obscurecida pelas nuvens, a radiação que a poeira emite ao ser aquecida brilha no âmbito de milímetros e submilímetros. É esse tipo de radiação que a ALMA observa, onde os cientistas podem aprender sobre condições do Universo há 10 bilhões de anos.

Originalmente criada após uma parceria entre o Observatório Europeu do Sul e do Observatório Nacional de Rádio e Astronomia em 1997, a ALMA ganhou mais contribuidores que incluem equipes científicas do Japão, Taiwan, Espanha e Chile.

O observatório conta com telescópios de 50, 12 e 7 metros, formando uma grade de imagens interferométricas (IIA). Nesse tipo de disposição, cada telescópio faz a mesma coisa: coleta a radiação que vem do espaço e a foca em um detetor que mede a quantidade de radiação presente.

Os telescópios fazem uma escolha entre resolução e o tamanho do espelho — ondas longas produzem resoluções menores, espelhos maiores produzem resolução maior. Como a onda que a ALMA estuda é relativamente longa, de 0.32 a 3.6mm (1000 vezes mais longa do que um humano consegue ver), ela precisaria de um espelho único, gigantesco e impossível que produzisse a mesma resolução criada pelo IIA. Os 66 espelhos serão espalhados pelos 16 quilômetros do platô e permitirão que os cientistas deem zoom em objetos remotos.

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Como as antenas irão medir objetos tão distantes, elas precisam ser incrivelmente precisas. Na verdade, qualquer sujeita com 25 micrômetros na superfície do espelho pode potencialmente afetar as descobertas do IIA. Os sinais de cada antena são transmitidos e processados pelo supercomputador correlacionado da ALMA. Com a antena posicionada em 10 quilômetros, a grade poderá gerar uma resolução de 10 mili-arcsegundo — dez vezes mais do que o telescópio do Hubble é capaz de fazer.

Então como alguém consegue mover esses espelhos de 12 metros, 95 toneladas por 10 quilômetros no meio do platô chileno? Com Otto e Lore, claro — os dois transportadores gêmeos gigantescos da ALMA.

Cada um desses transportadores foram especialmente desenhados e criados pela empresa Scheurle para esse projeto. Eles têm 20 metros de largura, 10 metros de comprimento e 6 de altura, espalhando seu peso de 130 toneladas em 28 tiras de pneu. Cada um deles é movido por um motor a diesel de 700 cavalos (que se tornam, na verdade, 450 cavalos, por causa da altitude e do ar espesso) e carrega 3 mil litros de combustível. Os dois veículos têm velocidade máxima de 20km/h e 12km/h quando a antena está sendo carregada.

[Motherboard TVThe Guardian – European Southern Observatory 1, 2, 3UK Astronomy Technology CenterScheuerleNational Radio Astronomy ObservatorySpace InfoThe Living Moon]