Um novo relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) é o primeiro a tentar detalhar como o novo coronavírus, que causa o COVID-19, afeta crianças do país. O estudo mostra que elas geralmente tem sintomas mais leves e há menos probabilidade de internação.

Evidências vindas de outros países e de surtos isolados (como a bordo do navio Diamond Princess) sugerem que as crianças são muito menos suscetíveis ao COVID-19 em relação a outros grupos etários. Mas ainda não há muitas pesquisas sobre isso em vários lugares, inclusive nos EUA, que se tornou recentemente o país com o maior número de casos notificados.

O novo relatório do CDC, publicado nesta terça-feira (7) a partir do Relatório Semanal sobre Morbidade e Mortalidade, analisa dados de quase 150 mil casos confirmados de COVID-19 notificados entre 12 de fevereiro e 2 de abril de 2020.

Menos de 2.600 casos, ou 1,7%, envolveram crianças com menos de 18 anos de idade. Um terço destes casos veio da cidade de Nova York, e outro terço do resto do estado de Nova York e de Nova Jersey.

Os dados não são tão claros, no entanto. Apenas uma pequena porcentagem dos casos tinha informação disponível sobre os sintomas dos paciente (9%), as eventuais condições de saúde subjacentes (13%), e se estavam ou não hospitalizados (33%).

Ainda assim, entre os casos com bastante informação, as crianças parecem não terem sido tão afetadas pelo COVID-19.

A partir dessa amostragem, 73% das crianças apresentaram sintomas comuns como febre, tosse e falta de ar, em comparação com 93% dos adultos entre os 18 e 64 anos de idade.

Uma menor percentagem de crianças (apenas 5,7% de todos os casos pediátricos) foi hospitalizada, em comparação com 10% dos adultos, embora ambos os números possam ser mais elevados, uma vez que muitos dos casos incluídos no relatório não tinham informação sobre se o paciente estava hospitalizado.

“Nessa descrição preliminar de casos pediátricos de COVID-19 nos EUA, relativamente poucas crianças com COVID-19 são hospitalizadas, e menos crianças do que adultos sofrem de febre, tosse ou falta de ar”, escreveram os autores.

No entanto, apesar das descobertas, as crianças não são completamente invulneráveis ao vírus. Os especialistas especulam que as crianças são mais susceptíveis do que os adultos de transportar o vírus, sem se sentirem doentes, e que a falsa sensação de segurança pode então tornar as crianças mais suscetíveis a propagar o vírus a outras pessoas, incluindo os seus pais, avós e outros adultos que cuidem delas.

E embora os casos graves e as mortes entre as crianças sejam mais raros, não são nulos. No relatório do CDC, foram registadas três mortes de crianças, embora não seja claro se foi mesmo por COVID-19 ou se morreram de outra doença.

Tudo isso significa que as crianças, assim como os adultos, devem evitar tanto quanto possível a infecção pelo novo coronavírus.

“O distanciamento social e os comportamentos preventivos diários continuam a ser importantes para todos os grupos etários porque os pacientes com doenças menos graves e os que não apresentam sintomas provavelmente desempenham um papel importante na transmissão da doença”, escreveram os autores.