A Burning Man, a despeito da sua reputação, não é apenas uma festa hippie low-fi no meio do nada. O local ferve com tecnologias únicas. Algumas delas sopram nos seus ouvidos, algumas o ajudam a sobreviver em ambientes hostis e outras apenas inspiram admiração, terror e um pouquinho de medo.

Nesse festival de uma semana no remoto deserto de Nevada, onde nenhum humano vive, a população sobe para perto de 60 mil e, em seguida, desaparece. Junto com as pessoas vêm elaboradas esculturas e veículos malucos — como, por exemplo, este escorpião gigantesco que expele fogo pela cauda. Quando eu me deparei com ele, tive que fazer uma escola: sair correndo e gritando em desespero ou subir nas suas costas e dar uma volta. Subi a bordo e conheci seus criadores.

O conceito e a grana para o Escorpião vieram de um veterano do evento, Ken Murdoch, mas ele foi projetado e construído por Kirk Jellum, um engenheiro aeroespacial. Em 2010, Jellum abandonou seu negócio no espaço para construir coisas para a Burning Man em tempo integral. Você precisa de um engenheiro para finalizar um projeto dessa complexidade — cada perna se move individualmente, os braços se movem de forma independente, as garras se contraem e a cauda pode dobrar e flexionar. Há mais de 20 pontos de articulação, que são operados por uma série de alavancas no convés.

Para criar os efeitos de fogo na cauda (cada um deles com ignição independente), um computador e uma série de controles Arduino roda programas para disparar as várias tochas em sucessões rápidas e com padrões variáveis. O Escorpião também tem um sistema stereo bem decente e ganha um visual fantástico à noite.

O veículo foi construído em cima de um boom truck International de 1993 com 8,53 metros de comprimento. Ele contém mais de 1,3 tonelada de aço. Foram gastos sete meses, 500 horas de projeções e 3500 de fabricação para finalizá-lo. Agora, ele vaga pelo deserto, em busca de curiosos para surpreender e outros carros para brigar. Imagine essa coisa vindo em sua direção numa rua silenciosa no subúrbio. Loucura.

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