O Facebook quer que um bilhão de pessoas vivenciem a realidade virtual — cerca de um sétimo de toda a população humana. Esse é um objetivo audacioso mesmo sem um prazo, que Mark Zuckerberg não deu. Mas para atrair o máximo de pessoas possível para o vazio, os usuários não precisam só ficar impressionados. Eles também precisam se sentir seguros.

Durante o evento Oculus Connect, na quarta-feira (11), a gerente de produtos Oculus Home Christina Womack anunciou uma API de segurança para realidade virtual social. As novas ferramentas de desenvolvedor vão incluir um recurso de bloqueio que trabalha em diversos apps para que, se você bloquear um usuário em um deles, eles estarão simultaneamente bloqueados em todos os outros que utilizem a mesma API. O tópico só foi tratado uma vez durante o evento, mas um post de blog da Oculus diz que a empresa vai anunciar mais detalhes “no começo do ano que vem”.

“Sejamos honestos: estar em uma realidade virtual com outras pessoas, especialmente estranhos, pode ser intimidador”, disse Wormack, no palco, na quarta-feira. “Para que as comunidades prosperem, as pessoas precisam se sentir seguras — e custa muito dinheiro e esforço aos desenvolvedores construir e manter lugares seguros. Importamo-nos muito com a proteção do futuro da realidade virtual social. Decidimos construir uma API que faz muito disso para você. No começo do ano que vem, você poderá ter ferramentas a nível de plataforma, como bloquear e denunciar, de graça. É como um conjunto de boas práticas embutido que vai de app para app.”

A Oculus está claramente tentando se antecipar ao assédio na realidade virtual antes que a empresa tente brigar com centenas de milhões de pessoas dentro do espaço. Mas já houve uma série de exemplos de assédio denunciados na realidade virtual, e conforme o meio se torna cada vez mais real, o abuso também. Equipar desenvolvedores com as ferramentas necessárias tanto para prevenir quanto para lidar com esse assédio na realidade virtual social é crucial se o Facebook quiser que ele controle a próxima fronteira das redes sociais.

Antes de lidar com a segurança, Womack também anunciou os planos da Oculus para expandir suas ferramentas de customização de avatar para melhor representar uma gama diversa de usuários. Esses avatares redesenhados, que estarão disponíveis no começo do ano que vem, permitem aos usuários customizar a pele e o cabelo dos personagens, entre outros recursos. E, mais tarde no ano que vem, os avatares terão movimentos de boca e olhos mais responsivos. Mas essa customização e expressividade podem também tornar alguns usuários — especificamente mulheres e pessoas de cor, além de outros grupos que são desproporcionalmente atacados online — mais vulneráveis a assédio. É claro, você sempre pode customizar seu avatar para que seja menos provável que você se torne um alvo (mudá-lo para um homem branco, por exemplo), mas as pessoas não deveriam precisar fazer isso.

Do jeito como as coisas estão no momento, redes sociais bidimensionais estão falhando terrivelmente em lidar com assédios. Resta saber se a API de segurança da Oculus tem as ferramentas necessárias para que desenvolvedores protejam todos seus usuários. Se o Facebook e outras plataformas gigantes de redes sociais mal conseguem lidar com esses problemas em 2D, por que deveríamos acreditar que estão prontos para lidar com um bilhão de usuários em realidade virtual?

Imagem do topo: Facebook