Especialistas da Organização Mundial da Saúde emitiram um aviso sombrio na segunda-feira (28): a próxima pandemia que atingirá a humanidade pode ser ainda mais devastadora do que a COVID-19, especialmente se não aprendermos nossas lições desta vez.

O alerta veio de Mike Ryan, diretor executivo do programa de emergências de saúde da OMS, durante uma coletiva de imprensa — a última a ser realizada pela organização este ano. Ryan observou que, embora a pandemia de COVID-19 certamente tenha sido muito grave, não era “necessariamente a grande” que os especialistas temiam. E isso deve ser visto mais como um alerta.

“O planeta é frágil. Vivemos em uma sociedade global cada vez mais complexa”, disse Ryan. “Essas ameaças vão continuar.”

Atualmente, acredita-se que a pandemia tenha ceifado pelo menos 1,7 milhão de vidas em todo o mundo, e muitos mais foram hospitalizados ou ficaram com complicações de saúde duradouras. Mas as mortes oficiais atribuídas à COVID-19 são claramente subestimadas.

Na segunda-feira, a vice-primeira-ministra da Rússia, Tatiana Golikova, admitiu que o país teve cerca de 186 mil mortes em excesso relacionadas ao vírus — mais de três vezes o número oficial de mortes da Rússia. Mortes em excesso são aquelas que superam o número que seria esperado ao levar em consideração os dados de anos anteriores.

A pandemia também afetou quase todos os aspectos da sociedade e piorou as crises de saúde pública existentes, como a de resistência aos antibióticos. No entanto, as coisas poderiam ser muito piores.

A taxa de letalidade da COVID-19 é relativamente baixa, pelo menos em comparação com outras doenças muito temidas. As chances de morrer de COVID-19 são altamente dependentes de fatores como idade e comorbidades preexistentes. Mas no geral, provavelmente entre 0,5% a 1% das pessoas que contraem a doença morrem por causa dela.

Isso ainda torna a COVID-19 muito mais mortal do que doenças comuns como a gripe. O número final de mortes na pandemia de 2020 irá ofuscar qualquer pandemia desde a gripe de 1918, que matou 50 milhões de pessoas em todo o mundo. (O HIV, às vezes considerado uma pandemia, matou mais pessoas, mas durante um período de tempo muito mais longo.)

Não seria preciso muito mais para que o próximo germe pandêmico fosse mais destrutivo do que o coronavírus. A próxima pandemia pode ser 10 vezes mais mortal e mesmo assim ainda teria uma taxa de letalidade de apenas um dígito, sendo ainda facilmente transmissível.

As pandemias são inevitáveis, mas não somos impotentes contra elas. O desenvolvimento recorde de vacinas contra COVID-19 eficazes em menos de um ano mostra isso. Ao mesmo tempo, a resposta atrasada e muitas vezes inadequada de muitos países para conter a pandemia este ano também mostra que há muito o que melhorar.

“Se há uma coisa que precisamos tirar dessa pandemia, com toda a tragédia e perdas, é que precisamos agir juntos. Precisamos nos preparar para algo que pode ser ainda mais grave”, disse Ryan.