Na semana passada, a OMS (Organização Mundial da Saúde) levou a guerra contra a desinformação da saúde online para o TikTok. Inclusive, a entidade fez isso no mesmo dia em que elevou sua avaliação de ameaça ao coronavírus ao nível mais alto possível da organização.

“Estamos no maior nível de alerta ou o nível de maior risco em termos de disseminação e em termos de impacto”, disse Mike Ryan, chefe do programa de emergência da OMS, em uma coletiva de imprensa em Genebra. “Esta é uma comprovação da realidade para todos os governos do planeta: acorde. Se prepare. Este vírus pode estar a caminho e vocês precisam estar preparados. Vocês têm um dever para com seus cidadãos, vocês têm um dever para com o mundo de estarem prontos”.



O anúncio veio em meio a notícias de que o vírus já se espalhou em pelo menos 50 países e já foram confirmadas mais de 70 mortes.

De acordo com o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ainda não há “evidências de que o vírus esteja se espalhando livremente pelas comunidades”, mas minimizar os riscos à saúde nesses tipos de surtos não faz mal, né? Por isso, no seu primeiro TikTok, a OMS — o braço de saúde pública da ONU — demonstra o que a pessoa comum pode fazer para ajudar a se proteger do novo coronavírus.

No vídeo, Benedetta Allegranzi, líder técnica do grupo de prevenção de infecções, direciona os espectadores ao site da OMS e cita algumas preocupações sanitárias, como lavar as mãos com frequência e como cobrir adequadamente uma tosse ou espirro. Enfim, boas práticas para o dia a dia que as pessoas deveriam adotar, independente de haver um surto global ou não.

@whoWe are joining @tiktok to provide you with reliable and timely public health advice! Our first post: How to protect yourself from ##coronavirus ?♬ original sound – who

Ela também explica quando as pessoas devem entrar em contato com o médico (se você estiver com sintomas como tosse, febre e problemas respiratórios) e quando simplesmente elas devem ficar em casa e esperar (se você não viajou recentemente e tem apenas sintomas leves).

“Estamos no @tiktok para fornecer a você informações de saúde pública confiáveis e oportunas”, diz a descrição do vídeo.

A OMS não é a primeira grande organização global a começar a usar o TikTok para ajudar a esclarecer o surto em andamento. Tanto a Unicef como a Cruz Vermelha começaram a publicar vídeos para lidar com os rumores, mitos e memes, porque, no fim das contas, estamos falando da internet, né? Um lugar em que algumas pessoas são burras o suficiente para falsificar vídeos de si mesmas infectadas ou de gente que diz que foi infectada pelo COVID-19 para ganhar visualizações.

Um porta-voz da companhia disse ao Gizmodo por e-mail que o TikTok está comprometido a trabalhar em conjunto com os esforços da OMS “como forma de promover uma comunidade segura para nossos usuários”. “Para usuários do TikTok que exploram hashtags relacionadas ao coronavírus, também fornecemos acesso fácil do aplicativo ao site da OMS e outras fontes confiáveis”, continuou o porta-voz do TikTok. “Nossos mecanismos de notificação dentro do app permitem que os usuários denunciem conteúdos que violem nossas diretrizes da comunidade, o que inclui informações erradas que podem causar danos à nossa comunidade ou ao público em geral”.

Outras plataformas de mídia social, como o Twitter e o Facebook, adotaram estratégias semelhantes para ajudar a manter recursos legítimos de saúde próximos ao topo dos resultados de pesquisa em relação ao vírus. Além de conter a disseminação de conspirações e mitos sobre o COVID-19, o Facebook, a Amazon e outros sites de comércio eletrônico recentemente ganharam um novo tipo de dor de cabeça: um crescente mercado de produtos com o objetivo de lucrar com medo do coronavírus.