Em junho de 2020, quando a atenção de quase todos estava focada na pandemia de COVID-19, a Academia silenciosamente fez história. Com convites enviados para 819 novos membros, o grupo superou as ambiciosas – e controversas – metas de inclusão que havia estabelecido em 2016, depois que a tendência do Twitter #OscarsSoWhite destacou a homogeneidade dos eleitores do Oscar. 

Segundo dados do The Hollywood Reporter, ao longo de cinco anos, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas mais que dobrou o número de membros femininos e negros no Oscar. Mesmo depois dessa mudança, e de mais um ano de convidados em 2021 que continuaram a tendência, a organização ainda mantém 81% de brancos e 67% de homens. E, como mostra a do THR dos 17 ramos eleitorais, os ganhos foram desiguais, entre os ofícios em particular.

Desde 2016, o ramo de atores tem sido o mais assertivo na diversificação racial, sendo o único a estender mais da metade de seus convites a pessoas de cor, com 55,5%. Em 2021, 69% dos novos convites da filial foram para atores não brancos. 

Diretores (47% negros desde 2016) e música (38,1%) seguiram, enquanto outros ramos permaneceram predominantemente brancos, incluindo efeitos visuais (14,5% não brancos desde 2016), design de produção (17,4%) e edição de filmes (17,9%). Apesar do impulso de diversidade do grupo, os convidados de algumas ramificações, como efeitos visuais (17,4% mulheres desde 2016), som (20,2% mulheres) e cinematografia (21,7%), ainda permanecem predominantemente do sexo masculino.

FONTE: ACADEMIA DE ARTES E CIÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS E ANÁLISE DE THR

Porém, a iniciativa de inclusão da Academia em 2016, chamada A2020, aumentou drasticamente o tamanho da organização, uma tendência que agora terminou. 

Depois de historicamente convidar turmas de 200 a 300 membros, o tamanho das turmas da Academia dobrou e triplicou durante o avanço para a A2020 e o grupo, que tinha 5.765 membros votantes em 2012, aumentou para 9.487 membros votantes em 2021 – um crescimento de mais de 64,6%. 

Com a A2020 concluída, o tamanho das turmas caiu em 2021 para 375. Mas a Academia continuou em grande parte os padrões demográficos que havia estabelecido na A2020: a turma de 2021 era de aproximadamente 37% de não-brancos e 46,1% de mulheres.

Vale destacar que quem acaba se tornando um indicado ao Oscar não depende apenas dos membros da Academia, mas também é o produto de décadas de decisões tomadas pelos departamentos de admissão, agentes, produtores e executivos dos estúdios das escolas de cinema. 

Para resolver esse problema, a Academia criou uma nova iniciativa, intitulada de Aperture 2025, que tentará usar a elegibilidade ao Oscar para incentivar mais inclusão nos estágios iniciais. Essas novas diretrizes, que exigirão que os filmes atendam aos padrões de diversidade entre elenco e equipe para serem elegíveis para uma indicação de melhor filme, estão planejadas para entrar em vigor na 96ª edição do Oscar, em 2024.