Diversos países importantes da União Europeia estão apoiando a tecnologia de rastreio de contatos com pessoas infectadas pelo novo coronavírus via Bluetooth. A ideia dessa tecnologia é mapear a propagação de surtos por meio de apps para smartphones.

A notícia de que a ideia tem sido apoiada pelos governos europeus vem do empresário alemão Chris Boos, um dos principais coordenadores do projeto batizado como Iniciativa Pan-Europeia de Rastreio de Proximidade com Preservação de Privacidade (PEPP-PT, na sigla em inglês).

Sete países – Áustria, Alemanha, França, Itália, Malta, Espanha e Suíça – manifestaram apoio ou começaram a incorporar essa tecnologia em aplicativos que estão sendo desenvolvidos internamente. Outros 40 países foram registrados e estão em processo de integração.

“Muitos países de maior dimensão dedicaram as suas equipes de tecnologia para desenvolver algo em cima do que estamos fornecendo”, disse Boos em uma entrevista à agência de notícias Reuters.

O PEPP-PT é a criação de mais de 200 cientistas e tecnólogos. A iniciativa quer permitir que Estados europeus “falem” uns com os outros sobre a propagação do vírus por meio de uma avaliação de riscos automática – um esforço particularmente difícil, tendo em conta os rigorosos mandatos da União Europeia quando se trata de privacidade de dados pessoais.

Colocado como um projeto que “preserva a privacidade”, o PEPP-PT não depende de dados de localização, mas utiliza o rastreamento de proximidade baseado no Bluetooth para compartilhar IDs com pseudônimos com dispositivos fisicamente próximos uns dos outros.

Quando alguém registra que foi diagnosticado com COVID-19, a doença respiratória causada pelo novo coronavírus, o sistema utiliza essa informação para enviar notificações a qualquer pessoa que tenha entrado em contato com o indivíduo infectado.

Esses apps também forneceriam orientações adicionais sobre medidas de precaução, como a realização de testes para o coronavírus e a auto-quarentena.

No início deste mês, Boos disse ao TechCrunch que o projeto apoiará tanto abordagens centralizadas como descentralizadas.

No primeiro caso, enviaria as identificações para um servidor oficial, como algum que seja supervisionado por uma autoridade sanitária nacional, que pessoas preocupadas com a privacidade e com a forma como esses dados sensíveis poderiam ser tratados de forma imprópria.

Em contrapartida, uma abordagem descentralizada implicaria o armazenamento dessas identificações localmente nos próprios dispositivos, com um servidor back-end apenas para enviar os alertas.

“Ambos os modelos têm os seus prós e contras”, disse Boos à Reuters. “Um país tem que escolher que sistema precisa.”

Por sua vez, o Parlamento Europeu se pronunciou na sexta-feira (17) a favor de uma abordagem descentralizada que ajude a conter a propagação do surto. Até agora, o novo coronavírus infectou mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo e matou mais de 150.000, segundo os pesquisadores da Universidade de Johns Hopkins.

De acordo com a reportagem da Reuters, a Itália anunciou uma parceria com uma startup de Milão e membro da iniciativa PEPP-PT, chamada Bending Spoons, para desenvolver um aplicativo de rastreio de contatos. Já a Alemanha entrou em contato com outra afiliada da PEPP-PT, o Fraunhofer Heinrich Hertz Institute, para o desenvolvimento do app. A França está apoiando o instituto de pesquisa digital INRIA, cujo o presidente e CEO, Bruno Sportisse, disse à Reuters que estão “totalmente empenhados em fazer desta iniciativa pan-europeia um sucesso.”

A Apple e o Google se uniram para lançar uma tecnologia similar de rastreio de contatos nos EUA e outros países interessados.