Estamos cada vez mais próximos de tornar viagens espaciais mais democráticas. A pena é que num primeiro momento deve ser apenas um luxo para milionários. Digo isso, pois, segundo a Reuters, a Blue Origin, empresa espacial de Jeff Bezos, o dono da Amazon, deve começar a vender tíquetes em breve e os preços não são nada camaradas.

A Blue Origin diz que vai começar a vender passagens para voos espaciais em 2019

A estimativa do preço, segundo pessoas envolvidas na operação e que pediram anonimato, varia entre US$ 200 mil (cerca de R$ 773 mil) e US$ 300 mil (R$ 1,1 milhão) — o preço de um bom apartamento em uma cidade grande, apenas. Sendo mais específico, um funcionário citou esse intervalo de preço, enquanto outro informou que custaria no mínimo US$ 200 mil.

Quem tiver grana para comprar o tíquete, vai viajar na New Shepard, que foi desenvolvida para ter condução autônoma e para transportar até 6 passageiros. Ela pode realizar voos suborbitais atingindo uma distância de até 100 km da Terra.

Executivos da companhia disseram que os primeiros tíquetes da viagem espacial com o foguete New Shepard devem começar a ser vendidos no próximo ano. Mesmo com esse valor proibitivo para a maioria dos mortais, a divulgação desse preço tem certo apelo entre os especialistas do ramo, pois querem saber se a Blue Origin pode gerar receita com turismo espacial.

Em entrevista à Reuters, o analista aeroespacial Marco Caceres, da empresa Teal Group, estima que o custo estimado para realizada cada voo é de US$ 10 milhões. Considerando que a cápsula suporta seis passageiros e que paguem US$ 300 mil cada, esses voos podem fazer a companhia perder milhões.

Sistema de aterrissagem da Blue Origin. Crédito: Blue Origin

As iniciativas de turismo espacial, por enquanto, são apenas planos de um possível futuro próximo. Outra empresa que está nessa é a Virgin Galactic, do bilionário Richard Branson. Ele já vendeu alguns tíquetes para viagens espaciais, mas ainda não tem uma data. Após um acidente em 2014 com uma nave experimental, a companhia atrasou a missão por diversas vezes.

Atrasos são comuns no turismo espacial. Outro exemplo é a SpaceX, do bilionário Elon Musk, que brecou os planos de enviar turistas à Lua ainda neste ano. Enquanto isso, a companhia já reabasteceu por diversas vezes a Estação Espacial Internacional e até já mandou um Tesla para o espaço.

Temos de esperar para ver se a Blue Origin cumpre a promessa tanto a de vender como a de sair na frente na corrida pelo turismo espacial.

[Reuters]

Imagem do topo: New Shepard. Crédito: Blue Origin