Por Bruno Izidro

Quando Path of Exile foi lançado, em 2013, ele chamou a atenção de fãs de RPG de ação. Mesmo sendo online e free-to-play com microtransações, a pegada old school que lembra Diablo II fez com que o jogo atraísse cada vez mais jogadores nesses dois anos de vida. De acordo com o estúdio criador do jogo, a neozelandesa Grinding Gear Games, atualmente são mais de 13 milhões de contas registradas e cerca de 1,5 milhões de jogadores ativos.

O interessante é que muitos deles são brasileiros. “Descobrimos que 10% dos nosso jogadores estão jogando a versão em inglês no Brasil”, fala o cofundador do estúdio e game designer de Path of Exile , Chris Wilson, em entrevista ao Gizmodo Brasil, durante evento do jogo em São Paulo, na última semana. “Isso é incrível pra nós e descobrimos o quão grande esse mercado é por aqui”. Por isso, o plano agora é conquistar mais jogadores no país. Como? Lançando no próximo dia 11 de dezembro uma versão em português de Path of Exile, com servidor no Brasil – o que vai diminuir consideravelmente a latência do jogo – e micro-transações em reais.

Path of Exile é muito exaltado por ser aquilo que Diablo III deveria ter sido, mas não foi. O jogo não é tão conhecido quando o da Blizzard, mas quem o joga logo percebe que, apesar de possuir uma jogabilidade e um clima parecidos com Diablo, ele se destaca pela profundidade de seu sistema de evolução (com uma árvore de habilidades que lembra até o Sphere Grid de Final Fantasy X) e personificação variada de personagens, mas não de forma estética, e sim de habilidades e poderes, que são modificadas por gemas encontradas nos inimigos que podem ser anexadas às armas e armaduras.

Para Chris Wilson, essas foram as características que atraíram os jogadores, mas ele também não desmerece o rival, afinal a série Diablo foi a inspiração principal da Grinding Gear Games para o seu jogo. “O time de Diablo III fez um jogo muito bom, só que é diferente do que nós pessoalmente queríamos jogar, por isso colocamos o Path of Exile em uma direção mais old school”, comenta.

Já o fato de ser free-to-play, o que poderia afugentar muita gente, não impediu o seu sucesso, porque todos os itens que podem ser comprados nas microtransações do jogo tem somente valor estético, mudando visual de armaduras ou armas, mas não o seu status. Ainda assim, como explica o diretor técnico de Path of Exile, Jonathan Rogers, não ser um jogo pago afeta como o estúdio trabalha com o título. “Quando se faz um jogo free-to-play o game design é voltado para como fazer as pessoas se engajarem o mais tempo possível e isso afeta o gameplay”, fala o desenvolvedor. “Por isso, lançamos conteúdos novos a cada seis meses”.

A quarta e ainda inédita expansão para Path of Exile, Ascendancy, é prova disso. O conteúdo vai adicionar uma nova dungeon com jogabilidade diferente – com armadilhas e resolução de puzzles – além do novo elemento de subclasses para os personagens. No início do jogo é possível escolher entre seis classes principais e, com a expansão, cada uma delas terá três subclasses para o jogador decidir. O Duelista, por exemplo, poderá ser Slayer, Champion e Gladiador, com cada uma dessas subclasses com sua própria árvore de habilidades únicas.

Ascendancy será lançado globalmente no início de 2016, mas a Grinding Gear Games afirmou que os jogadores brasileiros poderão experimentar a expansão, em português e antecipadamente, no mesmo dia em que a versão brasileira do jogo for lançado, em 11 de dezembro. Atualizado: A Grinding Gear Games esclareceu poucos dias após a publicação do post que a expansão Ascendancy, na verdade, será lançado para o público brasileiro também só ano que vem. O que chegará agora por aqui será a atualização 2.1.0 que adicionará o jogo em português e a liga de desafios Talisman.

O trailer abaixo mostra uma locução dublada em português. Porém, por enquanto, a localização só vai estar nas legendas, textos e menus do jogo.

Com a ajuda dos fãs

Pelo tanto de jogadores brasileiros que Path of Exile tinha, os desenvolvedores da Grinding Gear Games sabiam que deveriam fazer algo para chamar mais a atenção dos jogadores daqui. A localização foi a ideia mais óbvia, mas após cerca de seis meses em que estavam trabalhando com uma empresa de tradução, eles se depararam com problemas que versões PT-BR de jogos sempre passam.

“O que descobrimos ser bem difícil é que nenhuma empresa de tradução conseguia traduzir os itens do jogo de forma apropriada”, fala o diretor técnico Jonathan Rogers. “Então o que tivemos que fazer foi pegar jogadores brasileiros bem ativos nos sites de comunidade de Path of Exile para nos ajudar nisso”.

É aí que entra Marcus Correia. Ele trabalhava com traduções – inclusive de jogos – há alguns anos e atualmente é gerente de comunidade de Path of Exile aqui no Brasil, mas ele diz que, acima de tudo, é jogador assíduo do RPG de ação e parte dos 10% dos jogadores brasileiros do jogo.

Path-of-Exile-Tradutor

Correia descobriu Path of Exile em 2012, quando o jogo ainda estava em fase de beta e, na época, mandava e-mails para a Grinding Gear Games para tentar viabilizar uma versão em português do jogo. “No começo pensei que não iria dar em nada.”. E realmente não deu. Foi somente a poucos meses que o estúdio neozelandês, sabendo do engajamento dele em criar uma comunidade ativa do jogo em português (ele é criador do fórum caminhodoexilio.com), o chamou para ajudar na localização de Path of Exile.

Ele e mais outro jogador brasileiro bem ativo de Path of Exile tiveram (e ainda estão) com o trabalho de revisar toda a tradução para o português e adaptar algumas expressões e nomes de itens que façam sentido para o jogo. “Traduzir é fácil, o problema é você pegar aquele pedaço de texto, colocar em português, manter o sentido que tinha em inglês e que seja coerente ao jogo, levando em consideração como o brasileiro pensa, fala e como o personagem fala”, explica.

Esse esforço da Grinding Gear Games em deixar a versão PT-BR de Path of Exile a melhor possível, fora o investimento em servidor local (que também servirá para toda a América Latina) e microtransações pagas em reais mostra o quanto eles estão tentando fazer com que o jogo tenha mais sucesso por aqui, principalmente para quem é fã da série Diablo e talvez tenha se decepcionado com o terceiro jogo.

Path of Exile está disponível de graça no Steam, porém a versão em português, junto com o servidor no Brasil só vai estar no ar após o dia 11 de dezembro.