Sabe aquela história de intelecto de peixe beta? Melhor pensar de novo. Pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha, ensinaram peixes da espécie Zebra mbuna e arraias a fazerem contas de matemática. Durante testes, os animais foram capazes de somar e subtrair números de um a cinco em troca de recompensas. 

Calma, o entendimento dos peixes sobre as equações foi bem diferente daquele tido por humanos. Os animais não foram apresentados aos algarismos (1, 2, 3…), mas sim à quantidades que representam esses números. 

Vamos deixar mais claro: os peixes e arraias foram apresentados a telas que mostravam uma certa quantidade de formas geométricas nas cores azul ou amarelo. Quando as formas eram azuis, o animal teria que somar uma unidade. E quando eram amarelas, teria que subtrair uma unidade. 

Suponha que foram apresentados quatro quadrados azuis. Azul representa a soma. Então, o peixe teria que adicionar mais um. Para dar sua resposta, o animal seria apresentado a duas telas secundárias, uma com cinco quadrados e outra com três. Neste caso, ele teria que nadar até aquela que tinha mais formas geométricas para ganhar uma recompensa.

Os peixes Zebra mbuna acertaram 78% das somas e 69% das subtrações. As arraias tiveram melhor desempenho, acertando 94% das somas e 89% das subtrações. Os resultados foram publicados na revista Scientific Reports.

Mas ficou uma dúvida: os animais realmente sabiam realizar a conta – neste caso, adicionar ou subtrair uma peça – ou estavam escolhendo a imagem que tinha mais ou menos figuras geométricas? 

Para resolver a questão, os pesquisadores mudaram as opções de respostas. Em um segundo momento, os peixes eram apresentados, por exemplo, a três quadrados azuis. Então, tinham a opção de nadar para uma tela com quatro quadrados (resposta correta) ou cinco quadrados. 

Os peixes Zebra mbuna escolheram corretamente adicionar um em vez de dois em 70% das vezes e subtrair exatamente um em 66% das vezes. As arraias adicionaram um em vez de dois em 90% das vezes e subtraíram exatamente um em 87% das vezes.

Os peixes não possuem córtex cerebral – a parte do cérebro responsável por tarefas cognitivas complexas em mamíferos. Além disso, nenhuma espécie de peixe é conhecida por utilizar habilidades numéricas na natureza, o que torna a descoberta ainda mais peculiar.

Para os cientistas, o recado é um só: a pesquisa mostra que está na hora de pararmos de subestimar outras espécies. Cérebro de peixe? Melhor escolher outra expressão.